Política

Uma vida entre os livros e a política

Natural de Alegrete, aos 54 anos,o petista Adão Villaverde disputa o comando da prefeitura da Capital pela primeira vez

Na Casa de Cultura, Villaverde relembra encontros com Mario Quintana, seu conterrâneo, pelas ruas do Centro
Na Casa de Cultura, Villaverde relembra encontros com Mario Quintana, seu conterrâneo, pelas ruas do Centro Foto :
Tinha as mãos entrelaçadas sobre a mesa. Mas, se pudesse, certamente Adão Roberto Rodrigues Villaverde teria aguardado a entrevista com um livro em punho. Leitor voraz, cita facilmente os nomes do búlgaro Tzvetan Todorov, do suíço Thomas Mann e do inglês Eric Hobsbawm como seus escritores preferidos. Conta que chegou a conhecer Mario Quintana, que dá nome à Casa de Cultura, local escolhido por ele para conceder a entrevista. "Eu encontrava com ele (Quintana) seguido, atacava na rua para falar. Ambos somos do Alegrete."

Cidadão honorário da Capital, o candidato petista à prefeitura diz que sempre lê "um livrinho" à noite, antes de dormir. "Sou um rato de biblioteca", admite. Do autor do livro que mais o marcou, "Os Ratos", Dyonélio Machado, guarda uma recordação especial. Tem, em seu gabinete, na Assembleia Legislativa, uma foto do escritor com Pinheiro Machado e Otto Alcides Ohlweiler, da época em que foram deputados constituintes. "Ele (Dyonélio) era muito amigo do meu pai. Era uma figura muito afável. Cheguei a conhecê-lo."

Prevenido, antes de começar a contar os principais capítulos de sua vida, Villaverde pede uma bala ao assessor. "Me arruma uma balinha, senão eu não vou conseguir falar." Ao colocar a bala de gengibre na boca, diz que não o faz por opção: "Eu não gosto, mas fazer o quê? Vou falar demais hoje", avisa, referindo-se à intensa agenda de campanha que teve ao longo do dia. "Hoje não foi o habitual, eu exagerei. Estou desde as 6 horas em atividade, não tomei café da manhã e almocei às 2h da tarde."

Normalmente, segundo ele, mantém alimentação disciplinada. "A minha vida mudou bastante desde que tive câncer. Tenho uma vida muito regrada. Apesar de nunca ter sido desregrado, passei a me cuidar mais." Villaverde detectou um tumor no final da década de 1980. "Foi um dos momentos mais difíceis da minha vida, no limite do suportável. Passei por um tratamento muito duro, de um ano e pouco. Sempre a quimioterapia é muito difícil. Mas naquela época, os efeitos colaterais eram enormes. Eu passava por sessões de sete dias corridos de quimio, ia me recuperar em casa e voltava para o hospital. Fora o conjunto de cirurgias que tive de fazer."

Apesar de curado, Villaverde visita o médico a cada seis meses para um check-up. Quando Dilma Rousseff e Lula, colegas de partido, enfrentaram a doença, Villaverde prestou apoio. "Por experiência própria, sei que ajuda muito conversar com pessoas que já passaram por isso.”

Um dos fundadores do PT, Adão Villaverde presidiu o diretório municipal do partido em 1989, durante o primeiro governo petista na Capital. Foi secretário de Ciência e Tecnologia e titular da Pasta de Coordenação e Planejamento no governo Olívio Dutra, entre 1999e 2002. Eleito deputado estadual pela primeira vez em 2003, hoje cumpre o terceiro mandato. Foi líder do governo Lula durante dois anos. Em 2011, ocupou a presidência da Assembleia Legislativa. É a primeira vez que se candidata a prefeito.


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