O comandante do Exército, general Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, disse nessa quinta-feira que o uso das Forças Armadas em ações de segurança pública é “desgastante, perigoso e inócuo”. Para ele, esse modelo deve ser revisto. Segundo o comandante, o trabalho dos militares foi empregado 115 vezes nos últimos 30 anos, em diferentes situações de apoio, a maioria na última década. “Nós não gostamos desse tipo de emprego, não gostamos”, afirmou o general, em audiência pública sobre soberania nacional e projetos estratégicos do Exército, na Comissão de Relações Exteriores do Senado. Ele citou ainda a atuação em varreduras nos presídios que passaram por rebeliões.
A Constituição permite que as Forças Armadas, por ordem presidencial, atuem em ações de segurança pública em casos de grave perturbação da ordem e quando o uso da polícia estiver esgotado. Villas Bôas citou a participação do Exército na patrulha da comunidade da Maré, no Rio de Janeiro. “Um dia me dei conta. Os nossos soldados atentos, preocupados, armados. E passando crianças, senhoras. Eu pensei: estamos aqui apontando arma para a população brasileira. Somos uma sociedade doente. E lá ficamos 14 meses. Do dia em que saímos, uma semana depois tudo havia voltado ao que era antes. Então, temos que realmente repensar esse modelo de emprego, porque é desgastante, perigoso e inócuo.”
"Uso de militares em segurança é perigoso", diz Villas Bôas
Comandante do Exército participou de audiência pública na Comissão de Relações Exteriores do Senado