Política

"Uso de militares em segurança é perigoso", diz Villas Bôas

Comandante do Exército participou de audiência pública na Comissão de Relações Exteriores do Senado

Comandante do Exército participou de audiência pública na Comissão de Relações Exteriores do Senado
Comandante do Exército participou de audiência pública na Comissão de Relações Exteriores do Senado Foto : Marcelo Camargo / ABR / CP
O comandante do Exército, general Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, disse nessa quinta-feira que o uso das Forças Armadas em ações de segurança pública é “desgastante, perigoso e inócuo”. Para ele, esse modelo deve ser revisto. Segundo o comandante, o trabalho dos militares foi empregado 115 vezes nos últimos 30 anos, em diferentes situações de apoio, a maioria na última década. “Nós não gostamos desse tipo de emprego, não gostamos”, afirmou o general, em audiência pública sobre soberania nacional e projetos estratégicos do Exército, na Comissão de Relações Exteriores do Senado. Ele citou ainda a atuação em varreduras nos presídios que passaram por rebeliões.

A Constituição permite que as Forças Armadas, por ordem presidencial, atuem em ações de segurança pública em casos de grave perturbação da ordem e quando o uso da polícia estiver esgotado.  Villas Bôas citou a participação do Exército na patrulha da comunidade da Maré, no Rio de Janeiro. “Um dia me dei conta. Os nossos soldados atentos, preocupados, armados. E passando crianças, senhoras. Eu pensei: estamos aqui apontando arma para a população brasileira. Somos uma sociedade doente. E lá ficamos 14 meses. Do dia em que saímos, uma semana depois tudo havia voltado ao que era antes. Então, temos que realmente repensar esse modelo de emprego, porque é desgastante, perigoso e inócuo.”