O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou na terça-feira o sigilo das gravações dos depoimentos das 52 testemunhas de defesa e de acusação dos réus do núcleo 1 da trama golpista. Dentre elas, está o senador gaúcho Hamilton Mourão (Republicanos), vice-presidente da República à época.
Mourão foi testemunha conjunta do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), do ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, do ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira e do general Walter Braga Netto, que também foi ministro da Defesa e concorreu como vice de Bolsonaro nas eleições de 2022.
Durante a arguição, Mourão negou participar de qualquer reunião em que tenha sido apresentada alguma minuta de Estado de Exceção. Contrapôs que o general Heleno tivesse lhe enviado ou mostrado qualquer minuta, e-mail ou texto que tratasse de Estado de Exceção. Disse ainda que Heleno mão comentou sobre esse assunto com ele em algum momento.
Afirmou ter se reunido com Bolsonaro em algumas oportunidades após o pleito de outubro de 2022. Relatou o abatimento do ex-presidente e que eles fizeram avaliações da derrota eleitoral. Negou que tenha havido qualquer conversa que se falasse de medida de força ou medidas excepcionais, como Estado de Defesa ou Estado de Sítio, ou ainda algum plano que pudesse se questionar as eleições ou o resultado da eleição em si.
"Em todas essas oportunidades que me encontrei com o presidente Bolsonaro, em nenhum momento me mencionou qualquer medida que representasse uma ruptura com o status quo, seja Estado de Sítio, seja Estado de Defesa ou qualquer outro. Nossas conversas foram sempre voltadas para aquela transição que estávamos realizando em vistas de que um novo governo assumisse a partir de 1º de janeiro”, declarou o senador.
Após sua oitiva, Moutão terá que voltar a depor. O ministro Alexandre de Moraes determinou nessa terça-feira que o senador seja ouvido pela Polícia Federal num prazo de 15 dias para apurar se suas declarações poderiam ter sido influenciadas por uma ligação de Bolsonaro.
Em nota, o ex-vice-presidente se defendeu e declarou que não foi ameaçado por Bolsonaro e que nada de irregular ou ilegal ocorreu durante o contato de ambos.