O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, alvo da nova fase da Operação Lava Jato, deflagrada nesta quinta pela Polícia Federal (PF), presta depoimento para esclarecer doações que ele teria solicitado a pessoas que tinham contratos com a Petrobras. "Esse é o motivo pelo qual ele está sendo ouvido. Neste momento, é prematura falar sobre delações. O que nós podemos dizer é a a solicitação de valores a pessoas com ligação com a estatal. Não tenho como dizer qual era o destino do dinheiro", declarou o delegado Igor Romário de Paula. Conforme a PF, Vaccari Neto é um dos 11 operadores no esquema investigado nesta nova fase da Lava Jato. Eles atuariam dentro da diretoria de serviços da Petrobras.
Segundo o procurador federal Carlos Fernando, salvo o tesoureiro, os outros envolvidos no esquema não têm ligação com o PT. Igor Romário de Paula também considerou que não é possível no momento estabelecer uma relação dos desvios com o partido.
De acordo integrantes do Ministério Público Federal e da PF, há suspeitas de pagamento de propina e lavagem de dinheiro dentro da Petrobras, ocorrido até o ano de 2014. "Os fatos investigados vão até o ano de 2014. Não podemos dizer a data de início do esquema, mas fatos aconteceram até o ano passado", afirmou o procurador federal Carlos Fernando. "A Investigação na BR Distribuidora envolve possível pagamento de comissões para funcionários. A empresa envolvida no esquema com BR Distribuidora é de Santa Catarina e produz tanques", explicou de Paula.
Pulando o muro
Nesta quinta, Vaccari Neto se recusou a abrir o portão de sua casa para a PF, durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão e condução coercitiva contra ele por denúncias de envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras. Os policiais tiveram de pular o muro da casa, que fica no Planalto Paulista, um bairro no município de São Paulo.
A PF fez busca e apreensão de documentos e objetos na casa do tesoureiro. Vaccari Neto foi citado em depoimentos da Operação Lava Jato, entre eles os prestados pelo doleiro Alberto Youssef, como operador do esquema de corrupção na Petrobras, que envolvia repasses de recursos desviados de grandes obras da estatal para o partido. Segundo as investigações, Vaccari também operaria no fundo de pensão Petros, alvo do esquema.
A PF descobriu também que a cunhada do petista, Marice Lima, foi destinatária de recursos da empreiteira OAS, envolvida no escândalo de corrupção. A cunhada de Vaccari, Marice Corrêa Lima, já foi alvo de outra fase da operação da PF, sob a acusação de ter recebido dinheiro da empreiteira OAS. Executivos da empresa estão presos por envolvimento no esquema. Eles integrariam um clube da propina que pagava para ter contratos na Petrobrás, dinheiro que era distribuído para funcionários públicos e partidos políticos.
Vaccari é um dos 11 operadores de esquema da Lava Jato, diz PF
Agentes foram obrigados a pular muro da casa de tesoureiro do PT