O vereador Elias Vidal (PPS) reiterou na tarde desta segunda-feira, em pronunciamento na Tribuna da Câmara de Porto Alegre, que vai manter as assinaturas em dois pedidos de instalação de CPIs – para apurar o suposto desvio de quase R$ 10 milhões da Secretaria da Saúde por meio do Programa Saúde da Família e a que deve investigar os convênios firmados entre as Secretarias Municipais da Educação e de Governança Local com o Instituto Ronaldinho Gaúcho. Na última sexta-feira, no programa Esfera Pública, ele já havia anunciado por meio de sua assessoria de imprensa que não recuaria. Um dia antes o presidente estadual do partido deu ultimato a Vidal: Paulo Odone deixou claro que se o parlamentar não retirar o nome das CPIs será encaminhado à comissão de ética e poderá ser expulso da legenda. "Não quero sair do partido, mas não tenho medo, fiz o que tinha que fazer", justificou.
Minutos antes do pronunciamento, ele colocou uma mordaça para demonstrar que estava sendo proibido pelo partido de manifestar sua opinião. O vereador ocupou todo o período de comunicação de lideranças, mudo, apenas gesticulando, como se estivesse efetivamente falando aos colegas vereadores. Depois disso, ao se justificar, ele chegou a mencionar aos jornalistas que recebeu ameaças de morte. "Alguns casos podem ter sido apenas de um alerta, mas ouvi coisas como "já mataram um, podem matar dois ou três", explicou Vidal.
Nos dois requerimentos para instalação de comissões, Vidal garantiu a 12ª adesão. O número corresponde ao mínimo necessário para dar seguimento às CPIs. No entanto, as asssinaturas dos ex-vereadores Aldacir Oliboni (PT) e Juliana Brizola (PDT), que deixaram a câmara e hoje são deputados estaduais, estão sendo questionadas.