Política

Vereadora recorrerá à comissão de Ética por agressão na Câmara de Porto Alegre

Nereu D'Ávila admitiu que se excedeu durante votação de ontem

Vereadora recorrerá à comissão de Ética por agressão na Câmara de Porto Alegre
Vereadora recorrerá à comissão de Ética por agressão na Câmara de Porto Alegre Foto : Ederson Nunes / Câmara dos Vereadores / CP
*Com informações das repórteres Bruna Cabrera e Vitória Famer

A vereadora Jussara Cony (PCdoB) afirmou que vai entrar com ação na comissão de Ética da Câmara de Vereadores de Porto Alegre após relatar que foi agredida na noite dessa quarta-feira pelo vereador Nereu D'Ávila (PDT). Segundo a parlamentar, ela teria se posicionado para falar ao microfone, para tentar acalmar as pessoas que acompanhavam a votação do Plano Municipal de Educação, quando foi empurrada pelo vereador.

“Não comecei a fazer a introdução, quando o vereador Nereu me agrediu. Achei um absurdo em todos os aspectos, até em função do que estávamos discutindo, que era questão de gênero. Só ele pode explicar o porquê teve este tipo de atitude”, relatou. Após a agressão, ela teria o direito de cancelar a votação, no entanto, Jussara decidiu manter a sessão, que foi interrompida em várias momentos. A Guarda Municipal chegou a ser acionada para conter os ânimos dos vereadores e manifestantes que lotaram o plenário.

O vereador Nereu D'Ávila admitiu que se excedeu durante a votação. “A sessão estava tensa e tinha duas torcidas, uma delas era a favor da questão LGBT e estava mais agressiva. A (vereadora) Mônica Leal estava na tribuna com discurso escrito e contrariava os interesses deles. Lá pelas tantas eles impediram que ouvíssemos a voz dela. O (vereador) Paulo Brum foi presidir e fazia sinal para ela esperar. Foi então que eles partiram para a agressão verbal, o que é intolerável, e ela ficou perplexa”, contou D'Ávila. Segundo o vereador, neste momento, ele se dirigiu ao microfone, onde estava Jussara Cony, para pedir a suspensão e evacuação da sessão. “Jussara, a quem eu gosto muito e é uma guerreira, estava no microfone. Precipitado, estava realmente angustiado, eu a afastei. Foi no máximo um empurrão”, relatou. 

A vereadora solicitou que D'Ávila pedisse desculpa. Ele se dirigiu ao microfone e se desculpou. “Ninguém pode fazer isso à força. A causa era maior por conta da ofensa a vereadora. Incorri neste erro, não há dúvida. Foi um excesso, não poderia ter acontecido”, lamentou.

O vereador acredita ainda que o ato não teve relação com questões de gênero. “Se fosse um homem eu faria a mesma coisa. Eu fiz com a ânsia de interromper a sessão. Infelizmente foi em uma mulher. Eu dizia antes de ir ao microfone 'olha o que estão fazendo com ela (Mônica Leal). Se fosse um homem não fariam isso com ela'”, concluiu.

Procurada pela reportagem do Correio do Povo, Jussara afirmou que ação é um exemplo do quanto a questão de gênero deve ser discutida “Determinados homens materializam o preconceito que é uma constante na nossa sociedade. Na relação de gênero, foi uma mulher que ele empurrou, e que estava cumprindo uma tarefa que foi pedida pela mesa”, disse a vereadora. Ela promete agora procurar a Procuradoria da Mulher na Câmara dos Vereadores, que está sendo composta ainda, para que as devidas providências sejam tomadas.

A vereadora Jussara Cony relatou que há 32 anos, quando ambos eram vereadores, uma cena semelhante teria ocorrido na Casa. Segundo a vereadora, ela estava na tribuna, quando D'Ávila tentou agredi-la, mas foi contido por seguranças. O vereador disse que não lembra do caso. “Faz tanto tempo que eu não me lembro. Acho que eu nunca cheguei perto dela. Mas se ela está tentando dizer que eu implico com ela há 32 anos, não é verdade. Eu a admiro muito”, disse D'Ávila.