Política

Vereadores repercutem decisão de Fortunati se licenciar do PDT

Líderes na Câmara relataram incoerência do prefeito de Porto Alegre

Vereadores repercutem decisão de Fortunati de se licenciar do PDT
Vereadores repercutem decisão de Fortunati de se licenciar do PDT Foto : Vicente Carcuchinski / PMPA / Divulgação / CP
Os principais líderes da Câmara de Vereadores de Porto Alegre repercutiram na manhã desta terça-feira a decisão do prefeito José Fortunati de se licenciar do PDT. Segundo ele, a derrubada dos vetos de projetos sobre habitações populares e da obrigatoriedade do uso de ar-condicionado em ônibus novos foi determinante para o anúncio.

Em entrevista à Rádio Guaíba, alguns vereadores relataram um enfraquecimento do PDT dentro da Câmara e a falta de coerência do prefeito Fortunati em algumas decisões relacionadas a projetos para Porto Alegre. Outros parlamentares disseram compreender a atitude do pedetista e prometeram fazer de tudo para demovê-lo da ideia do afastamento.

O colega de partido de Fortunati, Thiago Duarte, que teria brigado com outros integrantes da sigla, alertou para a falta de coerência do prefeito em algumas decisões recentes. "Eu tenho responsabilidade com a população de Porto Alegre, assim como o restante dos vereadores. Infelizmente, o prefeito não tem sido coerente com aquilo que foi colocado no período de eleições. Sempre que houver isso, eu vou apontar. Vou votar pela população de Porto Alegre. Creio que a manifestação do prefeito é democrática, mas o parlamento é independente. O executivo não consegue explicar adequadamente para base alguns projetos, não consegue convencê-los (vereadores). Acho uma decisão intempestiva e fico muito preocupado", disse.

Delegado Cleiton, vereador do PDT, garantiu que votou pela derrubada dos vetos dentro de um contexto. "É uma questão política. Não votei contra o prefeito. Cada um vota de acordo com a sua consciência. As pessoas te elegem pensando em resolver os problemas delas e qualquer vereador não pode votar contra estes projetos (vetos)", explicou.

Já o petista Marcelo Sgarbossa comentou que Fortunati não tem usado justificativas plausíveis para vetar projetos da Câmara. "O prefeito vem vetando projetos, alguns deles sem qualquer justificativa, e de temas que não são de pouca relevância. As comunidades se reuniram para manter áreas de habitações longe de especulações imobiliárias, mas o prefeito alegou que não são próprias para ocupação. É do jogo democrático a decisão dele, assim como os vetos. Acho que o governo vem demonstrando fragilidade com o tempo", declarou.

O líder do PROS, Bernardino Vendruscolo, pediu que Fortunati "voltasse" a gerenciar Porto Alegre. "Nós não estamos preocupados com uma possível troca de partido. Queremos alguém que gerencie a cidade. Acho que o Fortunati está preocupado com outras coisas, menos com Porto Alegre. Ele pode reverter esta situação e voltar a trabalhar pelo município. Na realidade, ele nunca teve uma base coesa e precisa de assessoramento. Vejo que a Prefeitura inicia muitas obras sem dar continuidade a elas. Precisamos ser companheiros no sentido de defender a população", argumentou.  

O ex-integrante do PDT, vereador Cláudio Janta, que está no Solidariedade, afirmou, no entanto, que Fortunati foi abandonado pela bancada do partido. Atualmente, ele é defendido por outras siglas. "Eu sou suspeito para falar isso. Saí do partido há um ano e meio por verificar isso. Um grupo domina o partido e falta defesa ao governo. É um ou outro que defende. O prefeito está abandonado há muito tempo na Câmara", colocou.

Vereadores prometem lutar pela permanência de Fortunati

O vereador Marcio Bins Ely, líder do PDT, acredita que a derrubada dos vetos do prefeito se deu pelas circunstâncias dos votos. "A gente respeita a decisão do prefeito, mas o que aconteceu foi uma conjuntura de eventos que pesou para a derrubada dos vetos. Teve um veto do ar-condicionado, que culminou num voto contra o governo. Tivemos outras situações contra Dinho e Tarciso. Uma série de votos que se acumularam e causaram isso", explicou. 

O presidente estadual do PDT, Pompeo de Mattos, disse que fará de tudo para convencer Fortunati a não se licenciar do partido. "Ele se manifestou indignado com a postura da bancada na Câmara. Vamos tentar achar um ponto comum de diálogo. Vamos fazer de tudo para que ele não tome formalmente esta atitude. O ato serve como uma reação. Alguns querem ter o bônus de estar no governo, mas não querem ter o ônus de assumir a governabilidade", destacou. 

O vice-líder do PDT na Câmara, vereador Nereu D' Ávila, prometeu fazer uma cobrança forte na bancada do PDT. "A bancada não está unida há muito tempo. O prefeito está abatido com a derrubada dos vetos. Os vereadores nomeiam pessoas e têm responsabilidades no governo. As matérias até vão prejudicar a população. Ou é base ou não é", concluiu.

Airton Ferronato (PSB) e Reginaldo Pujol (DEM) ampliaram o discurso de Pompeo de Mattos e disseram que trabalharão para que Fortunati permaneça no PDT. O vereador Waldir Canal (PRB) não quis se pronunciar antes de falar com o prefeito.