Política

Vorcaro criou grupo para ameaçar jornalistas, ex-funcionários e concorrentes, diz PF

Dono do Banco Master foi preso na manhã desta quarta

Vorcaro foi preso pela PF
Vorcaro foi preso pela PF Foto : Divulgação/Banco Master

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, na manhã desta quarta-feira (4). A decisão fundamenta-se na descoberta de uma estrutura de vigilância e coerção privada, denominada "A Turma", utilizada pela organização criminosa para intimidar jornalistas, ex-funcionários e concorrentes. Vorcaro, que já usava tornozeleira eletrônica desde novembro, é acusado de ordenar hackeamentos e ameaças para obstruir as investigações da Operação Compliance Zero.

O banqueiro também mantinha interlocução próxima com dois servidores que ocupavam posições estratégicas no Banco Central (BC) e trabalhavam como “uma espécie de empregado/consultor” de Vorcaro, fornecendo informações privilegiadas.

Os servidores são o ex-diretor de fiscalização do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza e o ex-servidor Belline Santana.

Toffoli já havia determinado a prisão do banqueiro, ainda em novembro, mas pouco depois substituiu a medida pelo uso de tornozeleira eletrônica.

Dinâmica violenta

O ministro destacou a “dinâmica violenta” do grupo dando como exemplo também mensagens trocadas entre Mourão e Vorcaro sobre um jornalista que havia publicado uma notícia contrária aos interesses do banqueiro.

Na manhã desta quarta-feira (4), o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, declarou ser ele o alvo das conversas citadas na decisão do ministro.

"Tinha que colocar gente seguindo esse cara. Pra pegar tudo dele", diz Vorcaro, ao que Mourão responde: "Vou fazer isto."

Em outra troca de mensagens, Vorcaro afirma: "Quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto", referindo-se ao jornalista.

Em seguida, Mourão pergunta: "Pode? Vou olhar isso", e Vorcaro confirma: "Sim."

“A partir de todos esses diálogos verifica-se a presença de fortes indícios de que Vorcaro determinou a Mourão que forjasse um assalto, ou simulasse cenário semelhante, para prejudicar violentamente o jornalista em questão e, a partir do episódio, calar a voz da imprensa que ousasse emitir opinião contrária aos seus interesses privados”, escreveu o ministro André Mendonça.

'A Turma': o núcleo de intimidação e espionagem

Segundo a Polícia Federal, o grupo liderado por Vorcaro operava uma "estrutura de vigilância privada" destinada à obtenção ilegal de dados sigilosos. O objetivo era silenciar críticos do conglomerado financeiro e monitorar autoridades. As investigações apontam que o esquema bilionário de fraudes com títulos de crédito falsos era sustentado por quatro pilares fundamentais:

  • Núcleo Financeiro: Estruturação das fraudes contra o sistema.
  • Corrupção Institucional: Cooptação de servidores do Banco Central.
  • Lavagem de Dinheiro: Ocultação de patrimônio por meio de laranjas.
  • Intimidação e Obstrução: Monitoramento ilegal de jornalistas e adversários.

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Prisões preventivas e rede de apoio

Além de Vorcaro, outros três mandados de prisão preventiva estão sendo cumpridos contra figuras-chave da rede de apoio do banqueiro:

  • Fabiano Zettel: Cunhado de Vorcaro e empresário.
  • Luiz Phillipi Mourão: Empresário do setor automobilístico.
  • Marilson Roseno da Silva: Policial federal aposentado, suspeito de integrar o braço operacional da coerção.

A ordem de prisão partiu de Mendonça, que atendeu a pedido feio pela Polícia Federal. A prisão preventiva do banqueiro e de mais três pessoas envolvidas no caso foi a primeira decisão do ministro no caso, após ele ter assumido a relatoria em substituição a Dias Toffoli.

As investigações indicam que o caso do Master pode representar a maior fraude financeira já praticada no país. O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) estima, por exemplo, que os ressarcimentos a clientes prejudicados devem ultrapassar os R$ 50 bilhões.

O processo foi parar no Supremo em novembro, após surgirem indícios de envolvimento de autoridades com foro privilegiado. Contudo, até o momento não figuram pessoas com foro no STF entre os investigados.