A governadora Yeda Crusius afirmou hoje, em entrevista coletiva, que preferiu ficar em silêncio durante o período em que sofreu acusações de envolvimento em casos de corrupção no governo gaúcho. Yeda se pronunciou a respeito da decisão da Assembleia Legislativa de arquivar uma tentativa de impeachment de seu mandato. A governadora concedeu a entrevista no Palácio Piratini acompanhada de todo seu secretariado.
"Aguardei com muita serenidade, sofri muitas vezes em silêncio, evitei mesmo falar com vocês (repórteres). Acima da minha posição de mulher, de amiga, de mãe, de avó, eu me coloquei no papel de governadora de todos os gaúchos e todas as gaúchas", explicou. "Eu sabia que a justiça, por confiar nela, cedo ou tarde prevaleceria", completou.
Erros
Yeda voltou a reafirmar que errou em dois pontos: ao ter aceito a escolha de Paulo Feijó como vice de sua chapa e ao ter comprado sua casa logo depois de sua eleição para governadora. "Infelizmente temos uma triste situação em que o vice (governador) trava uma oposição contínua, feroz e ativa, trazendo um mal-estar que se expande nacionalmente", enfatizou.
Quanto à casa, a governadora explicou que o imóvel custou R$ 750 mil, sendo R$ 500 mil pagos à vista com recursos próprios da venda de dois apartamentos e um carro. Os R$ 200 mil restantes foram pagos em prestações mensais. A governadora voltou a afirmar que o Ministério Público já havia atestado a legalidade na compra do imóvel.
Yeda disse ainda que acredita que seguirá recebendo acusações, mas seguiu negando-as. "Eu sei que os segmentos radicais da oposição não vão parar, mesmo que não haja uma única prova contra a governadora. Não há gravações, atos secretos, leis ou despachos. Não existe qualquer coisa errada feita pela chefe do Executivo", afirmou.
O pedido de impeachment havia sido feito pelo Fórum de Servidores Públicos Estaduais a partir de denúncias de corrupção envolvendo integrantes do governo estadual. Um dos indícios era uma carta do empresário Lair Ferst relatando o uso de caixa dois na campanha eleitoral de 2006, irregularidades na compra da casa da governadora e arrecadação de propinas por agentes públicos. A governadora nega as acusações.
Yeda diz que sofreu em silêncio
Governadora falou em entrevista coletiva sobre arquivamento de impeachment