A Expodireto Cotrijal foi sede da abertura nacional da semeadura de canola. O ato simbólico ocorreu na quarta-feira, 11, um mês antes do início do zoneamento agrícola de risco climático, concentrado entre abril e junho. O objetivo foi destacar a oleaginosa que vem despertando o interesse de produtores e ganhando espaço na safra de inverno. Para 2026, a projeção de área é de 380 mil hectares no Brasil, alta de 60% sobre a safra anterior, quando o grão ocupou 225 mil hectares. Os dados são da Associação Brasileira dos Produtores de Canola (AbrasCanola), que destaca o protagonismo do Rio Grande do Sul, responsável por mais de 90% da produção nacional.
“A abertura nacional de semeadura simboliza o avanço de toda uma cadeia que vem se consolidando com força no Brasil, representando a diversidade de renda para o produtor, melhoria no sistema de rotação de culturas e oportunidade para o desenvolvimento sustentável da agricultura”, afirmou o presidente da entidade, Vantuir Scarantti.
Para o dirigente, o país tem produtores qualificados, empresas comprometidas, tecnologia e um ambiente de cooperação que fomenta o setor. Além do RS, a canola está presente em Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul e novas pesquisas avançam no Mato Grosso e no Distrito Federal.
Na última safra, a cultura foi impactada pelo clima no RS, mesmo com sua maior resistência a eventos extremos se comparada ao trigo, por exemplo. Segundo o PhD e referência em canola no Brasil Gilberto Tomm, que é pesquisador aposentado da Embrapa, a lavoura tem capacidade de rebrotar por ser da família da Brassicaceae, como o repolho e a mostarda. “É a cultura mais tolerante ao frio que temos para cultivar no Sul do Brasil”, ressaltou o pesquisador.
Em 2025, a produtividade média ficou em torno de 1,5 mil quilos por hectare, metade do potencial de rendimento, que é de 3 mil quilos por hectare. Mesmo assim, garantiu resultados positivos para os produtores, destacou o presidente da Abrascanola. A maior demanda pela oleaginosa estimulou o presidente da Cotrijal, Nei César Manica, que pretende começar a plantar o grão neste ciclo. “A canola é uma boa alternativa para o inverno”, considerou.
Hoje, a maior parte da produção vai para o mercado interno, especialmente para a fabricação de farelo e óleo utilizados na alimentação. Para o futuro, a expectativa é fornecer para a indústria de biocombustíveis. Até lá, o presidente da AbrasCanola lista as dificuldades do setor, como acesso a crédito e questões tributárias, além da dependência externa para produzir, mais de 90% das sementes usadas no país são importadas.