E m meio a um cenário de baixo crescimento econômico, aliar competitividade com sustentabilidade será o desafio principal da Expodireto Cotrijal, que começa nesta segunda-feira em Não-Me-Toque. Reconhecida como uma das principais feiras de tecnologia agrícola do país, a exposição irá reunir 515 expositores em uma área de 84 hectares, com a expectativa de atrair 230 mil visitantes do Brasil e do exterior.
“Temos que ser competentes no campo, com os materiais que nós temos, para aumentarmos a produção e competir com esse mercado, com o Custo Brasil, com impostos, com inflação alta, com taxa de juros”, enumera o presidente da Cotrijal, Nei Mânica. O momento de incertezas na economia e aumento dos custos faz com que ele projete um faturamento pelo menos igual ao do ano passado, quando o volume de negócios encaminhados chegou ao recorde de R$ 3,2 bilhões. Conforme Mânica, cerca de 70% dos negócios encaminhados durante a feira acabam sendo concretizados após o evento. O cenário de instabilidade, porém, aumenta a importância da Expodireto como palco de debates para as principais necessidades do campo.
Embora as condições de pagamento e taxas de juros não sejam as mesmas de 2014, bem como o preço da soja, a confiança é impulsionada pela expectativa de safra recorde. A estimativa é que o Rio Grande do Sul deverá colher mais de 14 milhões de toneladas da oleaginosa neste ciclo, produção que é favorecida pela alta do dólar. Por isso, segundo Mânica, a discussão sobre eficiência na produção ocupa um papel de destaque, já que ainda há por muito por fazer em termos de infraestrutura. “Nos últimos dez, 20 anos, dobramos a produção no Rio Grande do Sul e no Brasil, e com a infraestrutura não foi feito nada. Esse vai ser o maior gargalo do país”, acredita.
A edição deste ano irá contar, novamente, com uma forte presença de visitantes estrangeiros. A principal mudança da área internacional é com relação às rodadas de negócio, que ganham nova dinâmica. Antes centralizadas no Pavilhão Internacional, as reuniões irão ocorrer nos estandes dos exportadores. Segundo o coordenador internacional da feira, Evaldo Silva Júnior, a ideia é fazer com que os convidados internacionais circulem por toda a exposição. Até o momento, 70 países confirmaram participação na Expodireto, com a presença de diplomatas, importadores e formadores de opinião. O número de nações é menor do que em 2014, quando representantes de 77 países circularam pelo parque. Neste ano, cinco fazem sua estreia na feira: Irlanda, Mianmar, Malásia, Mauritânia e Bielorrússia. Os irlandeses, por exemplo, chegam em busca de tecnologias para a mecanização da produção leiteira.
Começa nesta segunda-feira a Expodireto Cotrijal
Feira terá tecnologia aliada à competitividade