Expodireto

Correio Rural debate sustentabilidade no campo na Expodireto

Enquanto a preservação ambiental já está incorporada ao agronegócio, a busca pelo equilíbrio econômico ainda desafia os produtores

Feira ocorre em Não-Me-Toque até sexta-feira
Feira ocorre em Não-Me-Toque até sexta-feira Foto : Camila Cunha

O tema “Agricultura Sustentável - Os caminhos para a produtividade no campo” abriu o ciclo Correio Rural Debates, durante a Expodireto Cotrijal. Os convidados Gelson Melo de Lima, superintendente de Produção Agropecuária da Cotrijal; Darci Hartmann, presidente do Sistema Ocergs/Sescoop; e Roque Rutili, vice-presidente do Crea/RS, abordaram, com o editor-assistente de Rural do Correio do Povo, Leandro Mariani Mittmann, os desafios dos produtores rurais para alcançar o equilíbrio sustentável, preservando o meio ambiente e mantendo o trabalhador no campo.

Enquanto a preservação ambiental já está incorporada ao agronegócio gaúcho – em respeito à terra, às leis e para atender exigências do mercado –, a sustentabilidade econômica ainda enfrenta entrave. Apesar das inovações tecnológicas, o produtor se vê sem recursos para investir, em meio a eventos climáticos extremos, que atingem cada vez mais o Estado, levando ao acúmulo de dívidas, e sem acesso a seguros e financiamentos com juros mais condizentes às dificuldades impostas.

Rutili frisou a importância do engenheiro agrônomo nesse processo, a fim de atender à legislação sobre uso do solo e também alcançar, com responsabilidade, o equilíbrio entre preservação e rentabilidade.

“No Estado, temos em torno de 14 mil agrônomos cadastrados no Crea. Mas sabemos que tem muitos mais, agricultores que cursaram Agronomia para usar esse conhecimento na sua propriedade e ter resultados melhores em seu sistema de produção”, apontou.

Hartmann defendeu que os produtores entendem a necessidade da preservação ambiental, especialmente diante das mudanças climáticas e seus impactos no setor.

“A gente vê que tem que fazer as coisas diferentes, buscar alternativas para avançar, primeiro, a sustentabilidade econômica, porque, sem esse resultado, o produtor não permanece na atividade. Olhar a sustentabilidade tecnológica, com tecnologia que seja suficiente e pague o custo do investimento. Para então chegar à sustentabilidade ambiental, que é fundamental para a produção agropecuária”, ponderou.

O dirigente da Cotrijal percebe a sustentabilidade alicerçada em equilíbrio, sobrevivência e continuidade. “Conduzimos um negócio e, se não tiver renda, não se permite que você atue melhor socialmente. Hoje, o mercado quer saber de que forma se está produzindo o alimento. A questão ambiental, que há alguns anos era vista como ideologia, agora faz parte do negócio”, enfatizou.

“O desafio é como vamos agregar valor aos produtos, como vamos comunicar a forma como estamos produzindo para quem compra e que tecnologias vamos usar. Saímos de um período de pouco acesso à informação e hoje temos milhares. Precisamos saber quais nos agregam.”

jornalista Leandro Mariani Mittmann conduziu a conversa com representantes de Crea/RS, Sistema Ocergs/Sescoop e Cotrijal | Foto: Camila Cunha

O engenheiro agrônomo lembrou ainda que o produtor corre uma série de riscos em busca do equilíbrio, desde a escolha de novas tecnologias até a adoção de novas culturas. “Para ele se manter consciente dos próprios números, precisa de muito conhecimento técnico e de persistência. Aí entra a resiliência, e o gaúcho tem muito disso”, observou. “As cooperativas ajudam nesse conhecimento. As feiras estão lotadas de tecnologias novas, mas para entender, precisa de assessoria, para saber se vai se encaixar no negócio, se terá mão de obra para tocar o maquinário.”

O presidente do Sistema Ocergs apontou ainda a mudança de cultura em relação ao meio ambiente. “Existe uma pecha em cima do produtor, de que ele não cuida, não preserva. Mas a sociedade pode ficar tranquila, porque hoje o produtor é o maior preservacionista e tem visão muito clara, consciência absoluta de que precisa deixar a propriedade em melhores condições para seus sucessores do que ele recebeu”, defendeu.

Ele lembrou que o produtor deixa de produzir em determinadas áreas, assumindo para si o custo em prol do ecossistema, que é usufruído por todos. “A sociedade deve participar do custo da preservação. É um desafio que países ricos já fizeram.”

Lima também enfatizou o trabalho do agronegócio brasileiro em relação à adoção de tecnologias. “O agricultor precisa de irrigação. Ele sabe que 50% dos fatores de produção estão no clima, não na mão dele. Mas aqui na feira tem muitos mecanismos de irrigação, e são pouco visitados, porque o produtor está pensando agora no passivo, para depois pensar em investimentos.”

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Hoje o economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz; o consultor de negócios do Sicredi Central, Gustavo Limberger Schuck; e a gerente de jornalismo do CP, Mauren Xavier, debatem o tema “Mercado, crédito rural e a reforma tributária no agronegócio”. A conversa pode ser conferida no YouTube do jornal, às 17h.