A Expodireto Cotrijal, que neste ano chega à 22ª edição, é reconhecida como um evento de excelência em tecnologia agrícola. A cada ano, as principais empresas do agronegócio apresentam em primeira mão, em Não-Me-DebatToque, as novidades que serão tendência no campo. A adoção de tecnologia no campo foi o tema da primeira edição do ciclo de debates Correio do Povo Rural desta Expodireto, que recebeu quatro autoridades no assunto na Casa do CP na Expodireto. O debate foi transmitido pelas redes sociais do Correio do Povo. O ciclo de debates conta com o patrocínio do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio Grande do Sul (Crea/RS) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/RS).
"Temos uma preocupação muito grande de não elitizar a questão da inovação", disse Eduardo Condorelli, Superintendente do Senar/RS. Foto: Guilherme Almeida
O diretor técnico da Emater, Alencar Rugeri, salientou o papel da Expodireto Cotrijal na difusão de novas tecnologias voltadas ao produtor rural, bem como a importância do retorno do evento após dois anos. Ao mesmo tempo, ele vê a barreira geracional como obstáculo à adoção de mais inovação. “Existe um envelhecimento da mão de obra que dificulta o acesso a essas novas tecnologias”, resumiu. Segundo o agrônomo, a presença maciça de drones voltados à produção rural na Expodireto deste ano demonstra a velocidade das transformações no campo. Como aposta para o futuro, Rugeri destacou o papel que os bioinsumos terão na agricultura dos próximos anos.
"Existe um envelhecimento da mão de obra que dificulta o acesso a essas novas tecnologias", afirmou Alencar Rugeri, diretor técnico da Emater. Foto: Guilherme Almeida
“A agricultura não sobrevive mais sem tecnologia. Foi-se o tempo em que poderíamos viver somente dos recursos naturais”, salientou o superintendente do Senar/RS, Eduardo Condorelli. O dirigente lembrou que a agricultura não conta mais com a disponibilidade de espaço territorial com que contou no passado, o que faz com que a atividade tenha de extrair mais resultado econômico numa mesma área. “E isso só se faz com tecnologia”, resumiu. A preocupação do Senar/RS, de acordo com ele, tem sido de levar ao produtor rural o conhecimento principalmente sobre gestão, que pode ser executado por meio de planilhas simples ou softwares mais complexos. Outro ponto destacado por ele é que, ao mesmo tempo em que a Expodireto expõe tecnologias de sensoriamento remoto via satélite, pulverização com drones e máquinas de última geração com telemetria, há uma gama enorme de produtores que estão vivendo apenas de subsistência da propriedade. “Temos uma preocupação muito grande de não elitizar a questão da inovação”, afirmou o superintendente.
"Temos muita tecnologia de ponta, mas ainda está muito concentrada nos grandes centros", declarou Igor Lindemann, da Fundação Pró-Sementes. Foto: Guilherme Almeida
“Produzir mais com menos custo numa mesma unidade de terra: isso é tecnologia”, resumiu o responsável técnico de Certificação de Sementes da Fundação Pró-Sementes, Igor Lindemann. Quanto aos desafios para o avanço da inovação, disse que muitas vezes isso está relacionado a questões simples, inclusive de logística e de conectividade. Outra questão a ser considerada é o tamanho do Brasil e as longas distâncias a serem percorridas até algumas propriedades, principalmente no Norte do país. “Temos muita tecnologia de ponta, mas ainda está muito concentrada nos grandes centros”, afirmou. Com relação às sementes, Lindemann comparou o item a um veículo que leva tecnologia embarcada para dentro da fazenda. Como exemplos, citou o desenvolvimento de materiais com o maior número possível de variações no ciclo da cultivar, além de tecnologias incorporadas para o controle de algumas pragas específicas.
"Entre tantos obstáculos, conectividade e falta de mão de obra são dois pontos importantes", disse Larissa Barden Meira, da Comissão de Agronomia do Crea. Foto: Guilherme Almeida
A engenheira agrônoma Larissa Barden Meira, integrante da Comissão de Agronomia da Inspetoria do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea/RS) em Carazinho, destacou a evolução possibilitada pelos drones em exposição nesta edição da Expodireto, que chamam a atenção inclusive para a possibilidade de se obter zero amassamento da lavoura. Segundo ela, não só os drones são capazes de realizar essa tarefa. Citou como exemplo o desenvolvimento de plantadeiras que deixam rastro preparado para que depois seja utilizado o pulverizador, o que gera economia de sementes. “Em tempos em que temos que levar tão a sério os custos de produção, vemos isso como uma vantagem extraordinária”, afirmou a agrônoma. Entre os obstáculos à adoção de tecnologia de ponta, citou a conectividade no campo e a falta de mão de obra. “A (falta de) conectividade inviabiliza que algumas operações sejam realizadas, e a mão de obra qualificada é quem consegue unir todos esses pontos e viabilizar tudo isso da forma estratégica que se precisa para uma tomada de decisão eficiente”, observou. Na avaliação da agrônoma, os drones ainda irão levar um certo tempo para que sejam adotados em larga escala no campo. Um ponto que deve evoluir com a tecnologia, nos próximos anos, é a pulverização. “Buscar máquinas que apliquem esse produto de forma eficiente é o nosso rumo”, afirmou a especialista.
O ciclo de debates Correio do Povo Rural terá continuidade hoje, com uma discussão sobre produção sustentável. Na quinta-feira, o tema será o cenário econômico e o agronegócio.