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Debates Correio do Povo apontam desafios da demanda mundial por alimentos

Encontro da Expodireto Cortijal discutiu aumentar produção com sustentabilidade

Encontro da Expodireto Cortijal discutiu aumentar produção com sustentabilidade
Encontro da Expodireto Cortijal discutiu aumentar produção com sustentabilidade Foto : André Ávila / CP
Tomar consciência da responsabilidade e ao mesmo tempo da oportunidade que será atender a crescente demanda mundial por alimentos nas próximas décadas é o desafio dos brasileiros. Mas a tarefa não é só dos produtores. É também da sociedade e, principalmente, do governo. Esta foi a tônica da terceira edição dos Debates Correio do Povo Rural, realizado nesta quinta-feira. Os encontros foram promovidos na casa do jornal e do Grupo Record durante a Expodireto Cotrijal, esta semana, em Não-Me-Toque. O tema do encontro, que reuniu seis convidados de diferentes áreas, foi a necessidade de ampliar a produção de alimentos com sustentabilidade.

Um dos caminhos será a biotecnologia. “Acreditamos que as plantas geneticamente modificadas terão uma contribuição muito grande nesse processo, pois são tecnologias que economizam terras”, prevê a pesquisadora Magali Ferrari Grando, professora do Laboratório de Biotecnologia Vegetal da Universidade de Passo Fundo (UPF). Outra vantagem da biotecnologia, de acordo com a pesquisadora, é o uso de produtos químicos em menor escala. Magali destacou que a instituição de ensino está desenvolvendo variedades resistentes a insetos.

Outra alternativa será a irrigação, que possibilita ampliar a produtividade sem aumentar a área. Chefe da Divisão Técnica do Senar, João Augusto Telles comenta que estudos indicam que 97% da água usada na irrigação retorna para o ciclo biológico. “Eu diria que biotecnologia e irrigação é o ‘casamento’ perfeito”, acrescenta. Na avaliação do dirigente, o Brasil está crescendo em produtividade e este é um mérito do produtor, mas o país não está sabendo aproveitar a oportunidade de atender à demanda crescente por alimentos.

Para avançar, Telles pontua que é necessário investimento em infraestrutura – rodovias, portos, hidrovias, ferrovias e aeroportos – citando como exemplo da falta deles os problemas de abastecimento decorrentes da greve dos caminhoneiros. “O governo não está dando apoio ao produtor”, destacou o veterinário, reclamando da falta de incentivos e também da carência de assistência técnica. Ao mesmo tempo, ele comenta que a agricultura é uma atividade relativamente nova no Brasil  – até 50 anos atrás, era uma prática de subsistência.

Na mesma linha, a agrônoma Sandra Zoldan, pesquisadora em Resistência a Doenças da OR Sementes, acrescenta que o melhoramento genético é outra ferramenta que poderá ajudar na tarefa de ampliar a produção de alimentos, diminuindo o uso de agroquímicos. Ela aponta a necessidade de melhorias na logística, mencionando a dificuldade de trazer germoplasma de outros países e de agregar valor aos produtos. “Falta união da cadeia”, avalia.

A agrônoma Celi Webber Mattei, responsável técnica da Webber Sementes, avalia que a conscientização do setor sobre a responsabilidade e oportunidade de atender a crescente demanda mundial por alimento é um processo que ainda está “engatinhando”. Segundo ela, para buscar este caminho por meio da sustentabilidade é preciso continuar apostando na diversificação e rotação de culturas, além de manter os campos sempre com algum cultivo. “A planta funciona como um arado, abrindo a porosidade do solo pra chuva infiltrar”, ressalta.

O coordenador técnico da Cotrijal, Fernando Martins, destaca que a atividade é de risco. “Nossa condição é sempre no limite máximo”, referindo-se a chuvas, granizo e mercado, entre outras variáveis. “Um país essencialmente agrícola não tem uma política agrícola”, lamenta. Ele destacou a importância de equilibrar as complexidades do setor e da busca por conhecimento técnico, lembrando que o profissional que não buscar este caminho automaticamente ficará de fora do mercado.

O diretor executivo da Tovese Corretora de Seguros, Otavio Simch, comentou sobre a adesão de produtores ao seguro agrícola. No Brasil, 2014 fechou com 14% da área plantada segurada, enquanto nos Estados Unidos é 92%. Entretanto, segundo Simch, lá a modalidade existe desde 1929, enquanto no Brasil começou a operar em 2006.