Após um ano de retração, o setor de máquinas agrícolas aposta nas atuais condições de financiamento para fazer bonito na Expodireto. O que motiva o otimismo é a expectativa de que, para aproveitar as condições atuais do Moderfrota, que vence em 30 de junho, o produtor vai se antecipar e fazer suas compras em Não-Me-Toque. A maioria das empresas demonstra boa expectativa de vendas, apesar de considerar incerto o momento econômico.
Para a Abimaq, os negócios devem cair 10% em 2015, em razão da queda no preço das commodities. Quanto à Expodireto, as empresas acham que a venda será normal, com tendência a boa, principalmente em razão do Moderfrota. É o que relata o vice-presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas, Pedro Estevão Bastos. Ele ressalta que, neste financiamento, os juros são de 4,5% ao ano e o produtor consegue financiar até 90% do bem, enquanto o PSI tem taxa de 7% e só financia 70%.
O presidente do Simers, Cláudio Bier, avalia que, se os financiamentos não estiverem bem claros, haverá impacto nas vendas. “A regra do jogo não está bem clara”, salienta, reafirmando que o Simers está preocupado com o panorama atual, principalmente em relação ao Moderfrota. Para Bier, o Moderfrota deixa dúvidas quanto à disponibilidade de recursos.
O gerente comercial da região Sul da Case IH, Henrique Karsburg, ressalta que o início do circuito de feiras de máquinas, com o Show Rural Coopavel, no Paraná, surpreendeu. Segundo ele, os produtores, diante da instabilidade das linhas de crédito, buscaram protocolar seus pedidos para aproveitar o financiamento existente, principalmente o Moderfrota. A New Holland, que traz carregadeiras, tratores e colheitadeiras à feira, espera que a comercialização aumente de 15% a 20% em relação à edição anterior da Expodireto, também em razão da atual linha de financiamento.
O diretor comercial da New Holland Agrícola para o Brasil, Alexandre Blasi, informou que há grande expectativa de antecipação de compras para aproveitamento do Moderfrota, já que não se sabe se ela será renovada. A Stara encontra-se entre os otimistas, apesar de estar apreensiva com a instabilidade econômica. A vice-presidente de Marketing da empresa, Nicole Stapelbroek Trennepohl, comenta que o problema é a morosidade dos bancos para liberar os financiamentos.
O gerente regional de Vendas da John Deere Brasil, Tangleder Lambrecht, falou que a expectativa da empresa com a Expodireto é boa. A empresa espera atingir resultados iguais aos obtidos na feira em 2014 ou até melhores, considerando a safra prevista para o Rio Grande do Sul.
Na área de irrigação, o diretor superintendente do Grupo Fockink, líder na fabricação de pivôs no Rio Grande do Sul, Siegfried Kwast, está apreensivo com a incerteza do momento econômico. Ele acredita que as vendas a serem obtidas nesta edição devem ser parecidas com as do ano passado, “quando houve pequena queda”. “A grande dúvida é se terá continuidade a política de êxito no crédito, que são as taxas fixas”, destacou. Kwast salienta que o atual plano safra vigora até o final de junho, ainda com taxa fixa. Depois não se sabe mais. “Com taxa fixa, o produtor sabe o que vai pagar no futuro. Com a variável não”, justificou.
Empresas de máquinas agrícolas projetam bons negócios na Expodireto
Devido ao financiamento em vigor até 30 de junho setor de máquinas agrícolas sustenta o otimismo