Expodireto

Expodireto 2025: Boas ofertas para o produtor capitalizado

Entidade nacional do setor de máquinas agrícolas admite momento delicado, mas Simers vê chance de crescimento

Setor aposta numa Expodireto com resultado menor do que em 2024, quando a feira movimentou R$ 7,9 bilhões
Setor aposta numa Expodireto com resultado menor do que em 2024, quando a feira movimentou R$ 7,9 bilhões Foto : Fabiano do Amaral / CP Memória

Com a estiagem e as altas temperaturas do verão de 2025 castigando a lavoura gaúcha, o termômetro dos negócios de máquinas e implementos agrícolas deverá se manter em um nível modesto, na comparação com os anos anteriores, durante a 25ª edição da Expodireto Cotrijal. A feira ocorre de 10 a 14 de março, em Não-Me-Toque, na Região Planalto Médio, a 280 quilômetros de Porto Alegre.

“Estamos um pouco receosos. As condições climáticas no Sul não foram boas. E há uma perspectiva de quebra de safra, que provavelmente vai se materializar. Não estamos pessimistas, mas receosos”, afirma Pedro Estevão Bastos de Oliveira, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

Além da redução de produtividade na sojicultura gaúcha, as transações poderão ser prejudicadas também pela falta de recursos para completar a execução do Plano Safra 2024/2025, que se encerra em junho. No último terço de fevereiro, o governo federal teve de lançar mão de recursos extraordinários para assegurar R$ 4 bilhões ao projeto e, com isso, impedir sua paralisação total.

Na avaliação de gestores do setor e da feira, a combinação dos dois fatores, clima e falta de recursos para linhas de financiamento com juro controlado, sugere cautela nas previsões de resultados. “Muito provavelmente, quando chegar na Expodireto, o Plano Safra não vai ter mais recursos. É um entrave. No mercado, o juro hoje está 18% ou 20%. É muito caro. O agricultor provavelmente não vai querer investir, com esse montante de juro”, acrescenta Estevão.

O dirigente aposta num resultado um pouco menor do que em 2024, quando a feira movimentou, no total, R$ 7,9 bilhões, com o segmento de máquinas e implementos agrícolas representando mais de 90% do faturamento. Seja qual for o obtido em 2025, a comparação será dificultada pela decisão da Cotrijal de não divulgar a cifra da comercialização.

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No evento de lançamento da 25ª edição, em Porto Alegre, o presidente da cooperativa, Nei Manica, explicou que os volumes de vendas de máquinas e equipamentos agrícolas são sistematicamente questionados.

"As empresas certamente vão fazer seus negócios, como fazem o ano inteiro, e a Expodireto vai estar cheia de oportunidades. Esses números não importam", disse Manica.

Superintendente da área de produção vegetal da Cotrijal e responsável pela organização de boa parte da Expodireto, ou talvez a maior parte, Gelson Lima avalia como “esperado e até é natural” que o volume de negócios seja menor do que em outros anos. Lima destaca, seguindo o exemplo de Manica, as oportunidades, as “boas opções, as boas ofertas”, que as empresas eventualmente apresentarão.

“O aproveitamento dessas ofertas dependerá da capacidade e da condição de cada produtor”, complementa.

Mais otimista, o presidente do Sindicato de Máquinas e Implementos Agrícolas do RS (Simers), Claudio Bier, reconhece que a estiagem provocou problemas para aqueles que plantaram “mais cedo”, mas há aqueles que optaram pelo plantio tardio, que estão “conseguindo recuperar um pouco da lavoura com as chuvas dos últimos dias. Então esperamos um ano de bons negócios na Expodireto”. Bier acrescenta que as expectativas para 2025 são de um avanço de, pelo menos, 10% em relação a 2024.