O clima favorável e a cotação dos grãos — em especial soja e milho — ajudam a manter o otimismo para a 17º Expodireto Cotrijal, que se inicia nesta segunda-feira em Não-Me-Toque. Em meio a um cenário econômico instável no país, a perspectiva de uma boa colheita leva os expositores a confiar que a feira, reconhecida pela excelência em tecnologia, possa ter desempenho positivo também nas operações comerciais. A expectativa dos organizadores é alcançar pelo menos o mesmo volume de negócios encaminhados no ano passado, que foi de R$ 2,182 bilhões.
“Esse momento do dólar e a perspectiva de uma boa safra com certeza vão dar um ânimo e incentivar muitos a fazerem negócios”, confia o presidente da Cotrijal, Nei Mânica. Uma das tendências, aponta, é que as empresas de insumos e máquinas lancem mão de estratégias para atrair o produtor em tempos de crise, como programas de fidelização, a exemplo do que foi verificado durante o Show Rural Coopavel, em Cascavel (PR), em fevereiro.
Cerca de 230 mil pessoas devem circular pelos 84 hectares do Parque da Expodireto Cotrijal nos cinco dias da feira, que irá contar com 530 expositores. Um dos destaques deste ano é a ampliação do Pavilhão da Agricultura Familiar, que terá 220 agroindústrias e produtores. No ano passado, havia 177 participantes. Criada em 2000 como uma feira regional, a Expodireto deste ano terá 70 delegações estrangeiras, com representações dos cinco continentes.
Consolidada como um importante palco de debates, a exposição irá colocar em pauta algumas das principais preocupações do produtor para esta safra. Uma das maiores angústias do setor, hoje, é com relação ao futuro do seguro agrícola, que será discutido durante audiência pública da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado, no dia 11. A Cotrijal pretende colocar em pauta a proposta de criação de um fundo nacional, com aporte do governo federal e a participação das cadeias produtivas. “Seria um sonho construirmos no Brasil um seguro que pudesse garantir o custo de produção e a renda. Se todo mundo participasse, o valor seria quase insignificante”, descreve Mânica. Alternativas para a cultura do trigo, Cadastro Ambiental Rural (CAR) e aumento de custos também receberão atenção durante a programação do evento.
Entre os produtores, o clima é de cautela nos investimentos, porém sem deixar de destacar os ganhos de produtividade proporcionados pela tecnologia de ponta. Para o presidente da Farsul, Carlos Sperotto, os resultados da Expodireto deveriam ser avaliados no ano seguinte, observando-se o desempenho das tecnologias adotadas nas lavouras, e não apenas o volume de negócios encaminhados durante a feira. Quanto aos investimentos, Sperotto afirma que cabe a cada produtor avaliar a necessidade de novas aquisições e o bolso.
O presidente da Fetag, Carlos Joel da Silva, pondera que, embora os grãos estejam com cotações favoráveis, o preço atual tem muito a ver com a variação do dólar. Como é difícil prever o que irá acontecer com a moeda norte-americana, isso pode impactar na decisão de compra do produtor. “O agricultor fica apreensivo e com certeza isso vai se refletir nas vendas, mas não tira o brilho e a importância da Expodireto”, avalia.
Expodireto Cotrijal começa em clima de confiança
Perspectiva é de boa colheita apesar de cenário econômico instável