O 17º Fórum do Milho foi uma das atrações do primeiro dia da 26ª Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque. No evento, especialistas e lideranças do setor abordaram diferentes temas envolvendo a cultura, como o combate a pragas, novas formas de irrigação e o cenário das exportações em meio à guerra no Oriente Médio.
O primeiro painel tratou dos novos desafios no combate a pragas. O palestrante, pesquisador da CCGL Glauber Sturmer, fez um alerta sobre as lagartas do gênero Spodoptera, uma inimiga antiga que voltou a ameaçar os produtores.
“É uma praga já conhecida do nosso agricultor. Só que nós tínhamos a biotecnologia como nossa aliada. Infelizmente, pela pressão de seleção, esse inseto não morre mais com a biotecnologia, sendo necessário utilizar outras táticas de manejo”, afirmou.
Uma das estratégias é utilizar técnicas químicas e biológicas integradas e no momento certo. “Às vezes não é um produto que não mata, é a aplicação atrasada, por exemplo. Então, é preciso observar o momento da aplicação e entender que podemos ter uma pressão maior”, explicou.
O segundo painelista foi o engenheiro agrônomo da Cotrijal André Scharlau, que falou sobre os benefícios da irrigação para a cultura do milho e apresentou números sobre a diferença de produtividade entre lavouras com e sem a tecnologia. Para ele, o número de produtores que poderiam adotar o modelo ainda poderia ser maior.
“Eu pego muito produtor de leite. Ele precisa fazer silagem todo ano e tem safras em que fica com três, quatro silos de silagem, mas não sabe se terá alimento suficiente para os animais durante todo o ano. Então, com um sistema de irrigação, ele tem a possibilidade de garantir alimento para os animais o ano inteiro”, destacou.
Entre os benefícios da irrigação, o pesquisador citou segurança na produção, estabilidade produtiva, menor risco de perda do investimento, maior cobertura do seguro agrícola, maior eficiência no uso de insumos e mais segurança para uma eventual safrinha.
O terceiro participante do evento foi o gerente comercial da Cargill, Heverton Gugelmin. Ele comentou o cenário de incerteza para as exportações de milho após a escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã. Atualmente, cerca de 50% do milho gaúcho é vendido para países do Oriente Médio, o que gera preocupação entre os produtores.
“Se a exportação não estiver aí para absorver esse excedente da safrinha no segundo semestre, com certeza teríamos uma oferta maior de milho para o Rio Grande do Sul. Se restabelecermos esse fluxo de exportação, certamente teremos preços maiores aqui”, afirmou.
Ele também destacou que a tendência é de aumento no preço do petróleo, o que pode encarecer os combustíveis e gerar alta nos custos para os produtores.