Expodireto

Mão de obra no campo é tema de "Debates Correio do Povo Rural"

Participantes destacaram necessidade de qualificação

Participantes destacaram necessidade de rápida mudança no perfil do trabalhador
Participantes destacaram necessidade de rápida mudança no perfil do trabalhador Foto : André Ávila
Reclamação constante de produtores de muitas regiões do Estado devido à escassez de pessoal qualificado, a mão de obra no campo passa por um momento de transformação e tem o desafio de se adaptar às novas tecnologia na agropecuária. O assunto foi discutido nessa quarta-feira, na segunda edição dos Debates Correio do Povo Rural, na casa do jornal na Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque.

Para o superintendente do Senar, Gilmar Tietböhl, o problema não é a falta de pessoas, mas sim a qualificação. “A necessidade de qualificação no meio rural andou muito rapidamente. Se olharmos os últimos 20 anos, o perfil do meio rural mudou, as exigências de conhecimento mudaram e isso está sendo muito rápido”, observou, citando como exemplo a profissão de alambrador, hoje difícil de ser encontrada. De acordo com ele, não basta que o Senar disponha de uma ampla oferta de cursos. É preciso que as pessoas sintam a necessidade de procurar o conhecimento. No entanto, Tietböhl disse confiar nas novas gerações. “Acredito que eles vão ter uma maneira diferente, mais efetiva, com mais eficácia, de enfrentar essas dificuldades.” Coordenador de formação profissional rural do Senar, Umberto Moraes destacou que a demanda por qualificação tem se dado não apenas na parte tecnológica, de colheitadeiras, tratores e pulverizadores. “Tem que ter o conhecimento também da leitura de dados”, define. “Quando alguém fizer um plantio usando tecnologia, tem que analisar quanto ele vai colocar de semente por metro”, exemplifica.

Nem todos concordam que falta mão de obra. Na Região do Alto Jacuí, segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Pedro Paulo Nienow, o cenário é diferente. No entanto, ele ressalta que a procura é mais difícil para médias propriedades e para as pequenas que podem contratar, “porque elas vão precisar de um trabalhador mais polivalente, que tem que operar a colheitadeira, a semeadeira, o pulverizador”. Nesse quadro, “ele tem de ter muito mais conhecimento do que se fosse para um estabelecimento maior, onde você consegue qualificar alguém para cuidar da colheita, outro para tratos culturais e até para serviços gerais”, observou. O coordenador regional sindical da Fetag, Volnei Schreiner, lembrou que a violência contribui para afastar as pessoas do campo, bem como as más condições de telefonia e Internet na área rural. Além disso, destacou que hoje o acesso ao estudo é maior para quem vive no campo, o que contribui para que muitos migrem para a cidade.

Na cadeia leiteira, o tema é visto como um dos grandes desafios. Um dos motivos é o custo da tecnologia para substituir a mão de obra, que é cara em todo o mundo. O presidente do Sindilat, Alexandre Guerra, ressalta ainda que a atividade tem características específicas. “É uma produção diária. Todos os dias nós temos uma produção. Aí tu não tens sábado, domingo Natal, fim de ano”, explica. Por isso, segundo ele, a atividade exige profissionalização adequada e qualidade de vida, o que envolve a mecanização para não realizar tanto esforço físico. Devido a essas características, ele afirma ser necessária uma adequação da legislação trabalhista a essa realidade.

O diretor da Agros, Adalberto Coimbra, lembrou da concorrência com outras atividades que tiram mão de obra do campo. “Além da questão do trabalho, as pessoas anseiam pelo acesso social”, disse, referindo-se ao lazer encontrado na cidade, como cinema ou shopping, distante da população rural. Ele ressalta que, além da mecanização, haverá demanda pelo chamado “cientista de dados”, que deve aparecer no campo. “O trabalho vai ser mais na análise, na capacidade de lidar com refinamento dos dados e, a partir daí, tomar decisões importantes para a máquina fazer efeito”, prevê.