Entre estreantes e assíduos do Pavilhão da Agricultura Familiar da Expodireto Cotrijal, produtores buscam visibilidade e novas oportunidades de comercialização na 26ª edição do evento, em Não-Me-Toque. O espaço reúne agroindústrias de diferentes regiões do Rio Grande do Sul, que aproveitam a grande circulação de visitantes para apresentar seus produtos, fortalecer marcas e ampliar contatos com consumidores e possíveis parceiros comerciais. Além das vendas diretas ao público, a participação na feira também representa uma vitrine para divulgar o trabalho das famílias rurais.
Na Agroindústria Sobucki, Valmir José Sobucki dá continuidade à produção de melado, iniciada pelos avós e mantida pelos pais. “É algo que vem de geração para geração. Meus avós faziam, os meus pais também e agora a gente continua. Então, é algo que já vem de muito tempo, uma produção praticamente artesanal, que demanda tempo, serviço e muita mão de obra”, conta.
O ritmo de produção acelera durante o período que antecede a feira. O principal objetivo é ampliar o mercado de vendas, atraindo novos consumidores através de produtos livres de conservantes. “Nosso produto é diferenciado, coisa que é rara hoje em dia. Fazemos o uso de máquinas apenas para bater o melado, a maior parte da produção é manual,” explica Sobucki. Além do melado, Sobucki comercializa melado batido, geleia de morango, conhecida como “chimia de tacho”, feita com melado e frutas, e o caldo de cana extraído na hora.
Os primeiros dias de venda confirmam o otimismo que antecedeu a feira.
“Já participamos da Expointer ano passado e, claro, de feiras menores, mas a expectativa de participar da Expodireto é muito boa, porque querendo ou não, é uma vitrine. Estamos muito contentes com as vendas e essa nova experiência.”, conta o produtor, que pretende retornar na próxima edição do evento.
Chips de mandioca agregam valor à agroindústria
Nesta edição, a também estreante, Delviane Frozi, apresenta os chips de mandioca que reinventaram sua agroindústria. Trabalhando com mandioca e comercializando o produto descascado e congelado desde 2012, ela decidiu, há cerca de um ano, agregar valor à produção familiar. Surgiram então os chips de mandioca em diferentes sabores.
Orégano, laranja com pimenta, canela agridoce, cebolinha, alho, mostarda e o tradicional com sal compõem a linha da Agroindústria Frutos do Campo. A produção é feita por Delviane e o marido, que dividem as etapas entre cultivo, processamento e organização. “Nosso objetivo é criar as condições para continuar produzindo alimentos e manter a família no campo, com respeito à terra e ao meio ambiente”, diz.
Delviane ressalta que pretende realizar a inscrição novamente no próximo ano e celebra a recepção de seus produtos na feira. “Os chips estão sendo bem aceitos, recebemos muitos elogios e estamos felizes com os resultados.”
Novidades entre os tradicionais
Na Weber Embutidos, a sucessão familiar ganhou novos significados nos últimos anos. Cristian Weber acompanhava os pais nas feiras antes mesmo de integrar oficialmente o negócio. A primeira participação na Expodireto foi por volta de 16 anos atrás. Hoje, como sócio, ampliou a produção que começou com copa e linguiça defumada. Salames, torresmo, banha e bacon passaram a compor o empreendimento.
A preparação para a feira altera a dinâmica da produção. Salames e copas precisam ser fabricados com semanas de antecedência, respeitando o tempo de maturação; a linguiça defumada é preparada dias antes do evento. À frente da fábrica, estava o pai de Cristian, falecido no fim do ano passado, o que alterou a organização deste ano.
“A gente tinha uma visão nova de tudo que precisávamos fazer. Então, estou trabalhando em cima do meu lançamento do ano passado, um salame com borda de pimenta preta, vamos explorar ele como um produto novo, com queijos e geleias.”, explica Weber.
Anualmente, a perspectiva é de superação na comercialização dos produtos. “Temos muitos clientes que nos visitam todos os anos, clientes de outros estados que nos conhecem e voltam para procurar os nossos produtos. Então, é sempre muito gratificante participar dessa, que é uma das maiores feiras que a gente tem no no Estado.”
Nesta edição, o produtor destaca o movimento na feira. “O segundo dia está com um público muito bom, as vendas estão mais aceleradas e o produto com geleia acabou ganhando destaque na banca”, afirma.
*sob supervisão de Karina Reif