O presidente da Cooperativa Central Gaúcha Ltda. (CCGL), Caio Vianna, está presente na Expodireto Cotrijal 2025, onde participa de diferentes fóruns de discussão sobre os atuais desafios e perspectivas do agronegócio gaúcho. Em visita à casa do Correio do Povo no parque da Expodireto 2025, o engenheiro agrônomo comentou sobre temas de interesse dos produtores rurais.
Segundo Vianna, um plano econômico nacional, aos moldes do que já foi feito em governos anteriores, a exemplo do Plano Collor Rural, é uma medida necessária para evitar o endividamento do setor produtivo. Ainda de acordo com o presidente da CCGL, um investimento parecido já foi feito há 25 anos, com linhas de crédito que estão sendo quitadas até agora.
“Precisamos de planos econômicos de governo, para criar condições para que os agricultores cumpram seus compromissos. Tem momentos em que dependemos de políticas, sim, que podem ajudar muito, talvez esse momento dessa sequência de catástrofes climáticas seja um deles”, destacou Vianna.
Durante entrevista à Rádio Guaíba, Vianna afirmou que os produtores não podem ser penalizados pelas mudanças climáticas. “Não foi a primeira catástrofe climática nem vai ser a última. Talvez essa sequência de eventos climáticos nas últimas quatro safras, com duas secas e uma enchente, realmente não havia acontecido, mas os eventos climáticos nos últimos cinquenta anos se repetem”, afirmou.
“Repensar um alongamento (de prazos de crédito) para os nossos agricultores não é conceder anistia e nem dar esmola, é investimento, porque a produção na área é geradora, movimenta o comércio, a construção civil. E se pensarmos no PIB e nos tributos municipais, estaduais e federais, que são em torno 32%, não produzir no campo significa abrir mão desses impostos”, complementou.
Conservação da Água e do Solo
Um dos principais desafios para o agronegócio gaúcho é o armazenamento e aproveitamento da água, para enfrentamento da seca, e a preservação do solo. O tema esteve em foco no Pavilhão Internacional da Expodireto 2025, no Fórum Conservação do Solo e da Água.
“O Brasil hoje é o principal exportador de alimentos do mundo. A cada cinco pratos de comida no mundo, um é fornecido pelos brasileiros. Não podemos perder aquela água que cai. E num estado como o nosso que tem um regime de chuvas de 1.800 a 2.300 mm por ano, não pode falar em perdas em questão de água”, comentou Vianna.
Impacto das temperaturas extremas na agropecuária
Outro aspecto das mudanças climáticas que impacta a produção agropecuária são as temperaturas extremas. Uma consequência é a desidratação e o impacto na saúde dos animais. Segundo Vianna, a pauta estará presente no 20º Fórum Estadual do Leite, na quarta-feira.
Investimentos no sombreamento de piquetes, estruturas adaptadas para o conforto térmico dos animais e técnicas de hidratação, entre outras medidas de manejo da criação são necessárias nesse contexto.