Expodireto

Qualidade das sementes é aposta para lavouras mais produtivas

Cotrijal investe em nova unidade de armazenagem e beneficiamento do insumo

Família de Giordano Schiochet é uma das 28 que produzem sementes
Família de Giordano Schiochet é uma das 28 que produzem sementes Foto : Alina Souza
Em tempos de adversidades climáticas, como os fenômenos El Niño, em 2015, e a previsão do La Niña, em 2016, a Cotrijal, de Não-Me-Toque, está apostando na qualidade das sementes para ter lavouras mais produtivas. Para expandir a sua capacidade de processar e armazenar, a cooperativa investiu R$ 48 milhões na ampliação da Unidade de Beneficiamento de Sementes (UBS), que ganhou área de 21 mil metros quadrados - a unidade antiga tinha 50 anos e área de 5 mil metros quadrados. Agora, a capacidade de beneficiamento e estocagem está quadruplicada e chega a um milhão de sacos de 25 quilos de semente ao ano.

A soja corresponde a 70% do volume total. A cooperativa trabalha com 16 cultivares destinadas à produção de semente da oleaginosa. O restante do volume é dividido entre o trigo, a cevada, a aveia e o azevém.  A modernização da UBS incluiu a aquisição de equipamento para resfriar as sementes. Por meio da tecnologia, é possível manter o vigor e o poder de germinação por mais tempo. “Vigor é a capacidade que a semente tem de enfrentar as adversidades”, explica o gerente de produção vegetal da Cotrijal, Juliano Recalcatti. O ar frio injetado nos silos por meio de uma canalização com sistema semelhante ao de um ar condicionado resfria os grãos a uma temperatura que varia de 14°C a 15°C. Em época de colheita, os silos onde são armazenadas as sementes chegam a uma temperatura ambiente de 36°C a 41°C à sombra.

O resfriamento é o último estágio pelo qual a semente passa durante o processo de beneficiamento. Entre os cuidados tomados nesta etapa está o controle de umidade do ar frio. “A vantagem desse sistema é a manutenção e a conservação da qualidade fisiológica da semente durante o período de armazenamento até o plantio”, explica o coordenador da UBS, Dirson Neuls. Há quase 30 anos na Cotrijal, o técnico agrícola destaca que o projeto da UBS é inovador por ser completamente automatizado.

A inauguração na UBS ocorreu há menos de um mês e a equipe de 41 colaboradores no momento está fazendo os últimos ajustes na unidade para dar início ao beneficiamento. As primeiras cargas devem começar a chegar esta semana. O caminhão chega na recepção e em seguida é encaminhado à moega, onde é feito o descarregamento. A próxima etapa é a pré-limpeza dos grãos para posterior armazenagem e secagem. Em seguida, se inicia o beneficiamento, que consiste na limpeza e na separação das sementes por esfericidade - peso e tamanho. A tendência é que as sementes menores, de 5,5 milímetros, sejam mais valorizadas em relação às maiores, de 6,5 milímetros, pois em uma saca cabem mais grãos, ampliando o rendimento na hora do plantio. Por fim, é feito o sistema de resfriamento e armazenamento.

Antes da expedição, amostras das sementes armazenadas passam pelo laboratório para análise de controle de qualidade e tratamento industrial, que inclui a aplicação de fungicida, inseticida, nematicida e micronutrientes, entre outras substâncias. Nos próximos dois meses, com a entrada da safra 2015/2016 na nova UBS, a unidade antiga será desativada e transformada em depósito de sementes

Resultado 50% maior com semente vigorosa

Os produtores que foram até a 17ª Expodireto puderam conferir o resultado dos experimentos realizados na área de produção vegetal da Cotrijal. Utilizando semente de alto vigor produzida pela cooperativa, a lavoura experimental produziu 155 vagens com 420 grãos. Na área ao lado, onde os técnicos plantaram sementes de baixo vigor, a produtividade foi inferior a 50%, com 74 vagens e 188 grãos.

Na lavoura experimental com oito linhas semeadas, os técnicos da Cotrijal fizeram uma demonstração da diferença entre o uso de sementes de alto e baixo vigor. Na parte em que a soja está em fase de enchimento de grãos, ficou evidente o crescimento mais acelerado das plantas. Na outra, onde os caules foram cortados, a intenção foi mostrar a uniformidade dos colmos e o padrão de estabelecimento da lavoura, além da distribuição das plantas na linha. Por fim, em uma terceira área em início de desenvolvimento vegetativo, o objetivo foi demonstrar a uniformidade na distribuição das plantas.

Trabalho é seletivo e impõe regras rígidas

O vínculo e a relação de receptividade com os técnicos da Cotrijal que prestam assistência técnica, assim como a aceitação de novas tecnologias, são alguns dos fatores que fizeram com que a família Schiochet, de Não-Me-Toque, se destacasse e fosse escolhida para semear, cultivar e colher grãos que serão destinados à Unidade de Beneficiamento de Sementes (UBS) da cooperativa. Dos 300 hectares de soja da propriedade, um terço, em média 100 hectares, são de área cultivada com a intenção de produzir sementes.

Dos 5,5 mil agricultores associados, apenas 28 são produtores multiplicadores, que plantam soja com a finalidade de produzir sementes. Entre as exigências para integrar este seleto grupo está o investimento em maquinário e o manejo adequado às recomendações da cooperativa. Esta é uma trajetória que já tem dez anos e começou pelas mãos de Joaquim Schiochet e Genisse Zagonel Schiochet. Agora, com os dois filhos adultos, o casal ganhou força extra para impulsionar o crescimento da propriedade.

Recém formado em agronomia, o caçula Giordano Schiochet, de 24 anos, é o responsável pelas inovações tecnológicas. Na colheita, o equipamento utilizado é uma colhedora com sistema axial. “A máquina separa o grão da palha. É um sistema que tem menos atrito e causa menos dano à semente”, explica. No transporte, é utilizado o caminhão basculante, que facilita a descarga.

A atenção aos danos causados por insetos, que possam comprometer a germinação e o vigor da semente, e o manejo de doenças que impactam na qualidade também estão entre os cuidados exigidos. Outro detalhe é que toda a produção é entregue à Cotrijal, assim como todos os insumos utilizados são adquiridos da cooperativa, para manter o processo sob controle.

Na safra 2015/2016, a produtividade média da lavoura de soja da família Schiochet foi de 76 sacas por hectare. Na área onde o grão colhido foi destinado à semente, a produtividade média foi de 80 sacas por hectare. Não é regra, mas conforme o agrônomo Almir Rambo, que presta assistência à propriedade, a produtividade tende a ser maior nas áreas destinadas a sementes.