Expodireto

Setor de máquinas tem primeiro termômetro do ano

Empresas apostam na expectativa de uma boa colheita para reverter quadro de queda nas vendas

Safra pode incentivar produtor a comprar máquinas
Safra pode incentivar produtor a comprar máquinas Foto : André Ávila / CP Memória
Após optarem por não participar do Show Rural Coopavel, em fevereiro, por questões de calendário, as principais empresas de máquinas agrícolas do país terão o primeiro “termômetro” das vendas do ano em Não-Me-Toque. Mesmo com uma queda expressiva de 50% na comercialização de janeiro no Brasil, o segmento aposta na expectativa de uma boa colheita para que a Expodireto represente um ponto de virada.

Embora o Moderfrota não conte mais com a mesma taxa de juros do ano passado — passou de 4,5% para 7,5% ao ano, a linha de financiamento continua sendo a mais utilizada por médios e grandes produtores para aquisição de máquinas agrícolas. Principalmente porque o Finame Agrícola conta, desde a virada do ano, com uma taxa de juros variável, a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP). Além disso, no Moderfrota o financiamento chega a até 90% do valor do bem, podendo ir a 100% para produtores enquadrados no Pronamp, enquanto que o Finame financia até 70%.

Na primeira feira do ano, em Cascavel (PR), as empresas filiadas à Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) registraram queda de 20% no faturamento, desempenho considerado esperado dentro da atual conjuntura econômica. Para o presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Abimaq, Pedro Estevão Bastos, uma forma de reverter este quadro, que, acredita, acaba “contaminando o agronegócio”, seria um aporte maior de recursos ao Moderfrota, que conta com R$ 1,5 bilhão até junho. “Considerando que no ano passado, neste mesmo período, demandamos R$ 3,6 bilhões, precisaríamos ter um aporte de R$ 2,5 bilhões”, calcula.

Para o gerente comercial da New Holland para a região Sul, Eduardo Nicz, a queda nas vendas do setor em 2015 foi motivada principalmente pelas dificuldades de acesso a crédito, já que não houve grandes quebras de safra. Esse mesmo fator, avalia, continua a provocar desconfianças para esta edição da Expodireto. “Essa crise não é uma crise do agronegócio. Longe disso, o nosso produtor está capitalizado”, argumenta. Hoje, segundo Nicz, “todas as fichas estão lançadas no Moderfrota”. O executivo acredita, porém, que a verba disponível no momento se esgote até abril — antes, portanto do encerramento do Plano Safra 2015/2016, que chega ao fim no dia 30 de junho.

Diretor de vendas da Massey Ferguson, Rodrigo Junqueira estima que os recursos do Moderfrota serão suficientes para a demanda. “Não vejo colocar mais recursos como algo que fará o agricultor ter mais vontade (de investir) e sim ele fechar a sua colheita e poder ter uma análise clara de quanto produziu”, avalia. O executivo destaca que a linha de financiamento conta com uma taxa de juros atrativa e que, além disso, o produtor já tem uma noção de como será a sua colheita nesta safra. Para marcar a participação na feira do ano, a Massey levará a Não-Me-Toque equipamentos que serão apresentados pela primeira vez ao público. 

Em um cenário onde o agricultor busca produzir com cada vez mais eficiência e menos custos, a necessidade do investimento em tecnologia sustenta o otimismo da John Deere Brasil. O diretor de vendas Rodrigo Bonato destaca que buscar a otimização dos negócios é fundamental, uma vez que na agricultura tropical as janelas são cada vez mais curtas e há uma grande necessidade de manter a produtividade.

“Ao mesmo tempo, a competitividade do mercado faz com que a gestão nas fazendas seja cada vez mais assertiva e profissional e, como consequência disso, os agricultores têm investido cada vez mais em novas tecnologias de produção”, constata o executivo, mostrando-se otimista com o uso, pelos produtores, dos recursos disponibilizados no âmbito do Moderfrota. “Essas tecnologias vão desde a escolha de novas variedades de sementes, fertilizantes e modernas máquinas”, enumera, reiterando que é o investimento nelas que vem garantindo alta produtividade, eficácia na colheita e baixos custos.