Expointer

47ª Expointer, a feira da virada histórica

Independentemente dos resultados que possa atingir em volume de negócios e atração de público, a exposição deste ano, forjada na reconstrução depois da enchente, é avaliada pelas entidades promotoras como um sucesso antecipado

Obras no Parque de Exposições Assis Brasil para a Expointer
Obras no Parque de Exposições Assis Brasil para a Expointer Foto : Pedro Piegas

As entidades copromotoras da 47ª Expointer têm uma certeza em relação ao evento que se inicia neste sábado, 24. Seja qual for o resultado de público e negócios que apresentar no encerramento, no dia 1º de setembro, sua realização, por si só, configura um sucesso. A avaliação considera desde as dificuldades enfrentadas pelo agronegócio gaúcho nos últimos meses até o desafio de deixar o Parque de Exposições Assis Brasil em condições de receber a feira, depois de haver permanecido submerso, por um mês, pelas águas do Rio do Sinos, na enchente do outono.

Organizada pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), a Expointer tem como copromotoras a Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag), Federação Brasileira das Associações de Criadores de Animais de Raças (Febrac), Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no Rio Grande do Sul (Simers), Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Rio Grande do Sul (Ocergs) e a prefeitura de Esteio. Em julho, a Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC) integrou o grupo.

“Era fundamental que a Expointer acontecesse, por tudo que ocorreu no Estado. Se ela vai ser maior ou menor, se vai ter mais gente ou menos gente, mais acanhada ou menos acanhada não tem relevância. Não tenho dúvidas de que será um sucesso. Vamos ter uma Expointer histórica”, afirmou César Hax, presidente da ABCCC, após visitar o parque na semana passada, quando obras de reconstrução da infra-estrutura e de montagem dos estandes ocorriam simultaneamente e inspiravam dúvidas se estariam concluídas a tempo da abertura dos portões. Com sede instalada no local, a ABCCC teve parte das instalações destruídas. Hax calcula em cerca de R$ 1 milhão o prejuízo da entidade, somando perda de receita em maio e junho, quando o RS viveu o auge da devastação climática, e gastos para recomposição.

Ao listar obras e esforços necessários para garantir a Expointer de 2024, a subsecretária do parque, Elizabeth Cirne-Lima, destaca a contribuição das entidades parceiras. A Farsul, por exemplo, como afirmou o diretor administrativo e coordenador da Comissão de Exposições e Feiras da entidade, Francisco Schardong, cumpriu o que toca para ela dentro do convênio que tem com o Estado. “Estamos com nossa parte praticamente pronta. Uma recuperação muito difícil. Nas pistas de julgamento, no galpão dos bovinos, fizemos o trabalho que toca para nós e até um pouco a mais para termos uma Expointer à altura das tradições e da história do Parque Assis Brasil”, disse.

Responsável por uma área considerável das instalações da feira, a Farsul assumiu reparos nos telhados em pavilhões, além da substituição da cobertura do Boulevard. A Federação também providenciou serviço de limpeza com hidrojato, para retirada do lodo, entre outras iniciativas. “Vamos ter uma exposição da superação. Não teremos o Trensurb para levar a população urbana. E não vamos ter o aeroporto para trazer as visitas de outros estados e outros países. Mas isso tudo será superado pelo bom atendimento que o gaúcho tradicionalmente faz”, acrescenta Schardong.

A mesma confiança na atitude gaúcha é expressa pelo presidente da Ocergs, Darci Hartmann. “A gente só vence a crise com muito trabalho. Vamos mostrar que o Rio Grande é forte”, avalia, salientando o trabalho notável realizado no parque desde o dia 14 de junho, quando o governador Eduardo Leite confirmou o evento.

“Fizemos um mutirão. Arrumamos nossa área e estamos ajudando bastante o governo, que teve muita estrutura abalada. Ajudamos na pintura do Pavilhão Internacional, na bilheteria principal (que foi toda reformada), no portão 7. O parque foi bem danificado”, reconheceu o presidente do Simers, Claudio Bier. Para o dirigente, será uma grande feira. “A Expointer tem carisma. Em todos os anos, aumentamos bastante as vendas. Minha esperança é que consigamos chegar aos mesmos números do ano passado”, estimou. Questionado sobre uma eventual queda nos negócios, em razão do endividamento dos produtores rurais, Bier afirma que, além das negociações encaminhadas junto ao governo federal, há “muito agricultor capitalizado”.

O presidente da Fetag, Carlos Joel da Silva, previu bons resultados no Pavilhão da Agricultura Familiar, mas nem tanto quando se trata de valores mais altos, para aquisição de maquinário. “O pessoal que vem para a Expointer não compra uma moto, não compra um carro, não compra um trator, mas compra sempre alguma coisa no Pavilhão da Agricultura Familiar”, ponderou.

Os dirigentes lembram outros aspectos da importância da feira. “O produtor vem, apesar de todas as dificuldades, porque continuou fazendo seu investimento em genética, em melhoramentos. A participação na Expointer é investimento em marketing. É o grande momento para o produtor mostrar o serviço para fora da porteira”, avaliou Marcos Tang, presidente da Febrac. “A Expointer é uma vitrine da genética. Muitas vezes, a comercialização não é o ponto principal. O produtor sabe que não vai vender. Às vezes, nem está interessado na venda. Falo como expositor. Após a feira, você recebe uma enormidade de telefonemas e visitas na propriedade”, aponta.

Tanto Cesar Hax, da ABCCC, quanto Carlos Joel, da Fetag, salientam que a 47ª Expointer incrementará a mobilização do setor rural. Para Carlos Joel, as respostas do Palácio do Planalto às reivindicações dos agropecuaristas serão determinantes para a eventual realização de atos de protestos, a exemplo dos “tratoraços” promovidos pelo movimento SOS Agro. Para Hax, “a Expointer será um fórum muito importante para a economia do Rio Grande do Sul, para a mobilização do povo gaúcho e do povo do agro. Será um fórum importantíssimo. Não tenho dúvida disso”.