Expointer

A tecnologia que faz a diferença e fortalece o agro

Da internet à IA, tema dominou primeiro encontro da série Correio Rural Debates na 49ª Expointer, realizada na Casa do Correio do Povo

Eduardo Piaia (E), Maicon Galiotto, o mediador Leandro Mittmann, Nanci Walter e Marcus Coester
Eduardo Piaia (E), Maicon Galiotto, o mediador Leandro Mittmann, Nanci Walter e Marcus Coester Foto : Camila Cunha

Como a tecnologia pode tornar mais eficiente a agropecuária gaúcha, setor que nos últimos anos foi prejudicado por sucessivas estiagens e enchentes? Para responder à pergunta, teve início nesta segunda-feira (31) a série Correio Rural Debates, na Casa do Correio do Povo no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, durante a 49ª Expointer.

Com mediação do jornalista Leandro Mariani Mittmann, a discussão sobre “Tecnologia e inovação na produção rural” reuniu a presidente do Conselho Regional de Engenharia (CREA-RS), Nanci Walter; o diretor e coordenador do Conselho de Inovação e Tecnologia da Federação das Indústrias do Estado (Fiergs), Marcus Coester; o presidente do Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado (Consevitis-RS), Maicon Galiotto, e o diretor-executivo da entidade, Eduardo Piaia.

A representante do CREA-RS avaliou que o Estado oferece um nível tecnológico “fantástico” e excelentes profissionais, mas necessita de investimentos pesados públicos para atender às demandas do setor frente aos fenômenos climáticos.

“Seja na Serra ou na Campanha, a gente tem excelentes projetos. Mas sem investimento não vai acontecer nada”, enfatizou Nanci.

A cada nova safra, lembrou a dirigente, o clima vem exigindo um olhar diferenciado para o Rio Grande do Sul. “Agora é tudo muito mais rápido, a informação chega mais rápido. Mas não adianta ficar dando alarme no celular. As pessoas que plantaram vão fazer o que com aquela informação? O povo gaúcho, a resiliência dele está sendo testada”, disse Nanci.

Para Coester, da Fiergs, sustentabilidade é a senha que definirá o futuro no campo, diante de mudanças climáticas que vieram para ficar. “A solução sempre vai vir pela tecnologia. Não tem como pensar em alimentar 8 bilhões de pessoas (no mundo) na base da enxada. E, agora, no tema da mudança climática, não vai ser diferente. A questão, por exemplo, da previsibilidade climática: é uma informação importante, é tecnológica”, observou.

Ao citar as soluções de inteligência artificial e avanços incorporados às indústrias de máquinas agrícolas, Coester afirmou que essas ferramentas vão ajudar o produtor a fazer cada vez mais com menos recursos. Como aspectos favoráveis ao agronegócio gaúcho, o dirigente destacou o crescimento das startups ligadas ao agronegócio e a bem-sucedida experiência do Estado na implantação de parques tecnológicos.

“São hoje 30 no Rio Grande do Sul e eles são também pulverizados. A melhor estrutura nacional de parques tecnológicos está aqui no Rio Grande do Sul”, afirmou.

Piaia, do Consevitis, disse que os eventos climáticos adversos já não permitem margens de erro, seja na produção de uvas ou na etapa de industrialização de vinhos. Nesse cenário de risco, os resultados proporcionados pelo uso de ferramentas tecnológicas e de inteligência artificial vêm fazendo a diferença e surpreendendo os produtores. Um exemplo são as máquinas antigranizo dotadas de inteligência artificial.

“(O granizo) devasta uma produção inteira, um trabalho de meses. Então, a tecnologia vem para somar e para nos fazer crescer”, destacou.

“A gente hoje fala muito em em boas práticas (de produção) e, entrando nessa questão das mudanças climáticas, você ter informações ano após ano é fundamental. Mas é evidente que a gente precisa transformar isso em um banco de dados. A gente está trabalhando nesse sentido, junto com outros atores, trazendo tudo que a gente trabalha dentro da propriedade com as áreas técnicas dos nossos projetos”, disse Piaia.

Retenção de jovens

Para os debatedores, um dos grandes desafios é fazer com que a tecnologia chegue ao pequeno produtor rural, que representam a maioria no Brasil. O campo enfrenta ainda o desafio de reter os jovens nas propriedades e garantir a sucessão desses empreendimentos rurais, já que muitos optam por trocar a fazenda pela zona urbana.

Maicon Galiotto, do Consevitis, citou o investimento da entidade em capacitação de produtores, com base nas demandas informadas pelos sindicatos rurais.

“Você não consegue atingir todo mundo, mas, com programas de capacitação, a gente consegue chegar até eles”, disse. Um dos esforços recentes, segundo Galiotto, foram as orientações dadas aos produtores sobre a reforma tributária, que determinou mudanças nas notas fiscais eletrônicas emitidas pelo segmento.

O presidente do Consevitis-RS destacou como a conexão à internet revolucionou a rotina nas propriedades, mas observou que ainda é preciso avançar muito mais.

“Hoje, em muitos lugares não vai ter número de telefone (fixo) que funcione, mas a internet está na casa do agricultor. Da parte dos órgãos públicos, precisa ainda mais tecnologia, para que ele, da área vitivinícola, (tenha) acessibilidade à internet e à tecnologia de uma forma simplificada”, disse.

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