Expointer

Biochar é destaque na Expointer como alternativa sustentável para solos e resíduos agrícolas

Tecnologia que transforma casca de arroz e outros resíduos em insumo agrícola foi debatida em painel com pesquisadores e empresas

Pesquisador da Seapi, Jackson Brilhante apresentou o painel na Expointer
Pesquisador da Seapi, Jackson Brilhante apresentou o painel na Expointer Foto : Camila Cunha

A busca por soluções que conciliem produtividade, sustentabilidade e recuperação dos solos degradados pelas tragédias climáticas no Estado esteve no centro do debate sobre biochar, em realizado na manhã de quarta-feira (3), na Arena do Governo do Estado na 48ª Expointer. O painel “Biochar na Cultura dos Grãos: produtividade, sustentabilidade e créditos de carbono” reuniu especialistas da Embrapa, do governo gaúcho, da NetZero e de entidades do setor agrícola.

Produzido a partir de resíduos como casca de arroz, café, cana-de-açúcar e coco, o biochar é obtido por meio de um processo de pirólise, um processo de aquecimento sem oxigênio que transforma a biomassa em um condicionador de solo. Sua estrutura aumenta a retenção de água e nutrientes, melhora a aeração, fortalece a microbiota e contribui para o crescimento das plantas. Além disso, fixa carbono de forma estável no solo por centenas de anos, ajudando a reduzir gases de efeito estufa.

O engenheiro florestal da Secretaria da Agricultura e coordenador do Plano ABC+ RS, Jackson Brilhante, destacou a importância de debater o tema na Expointer. “O Rio Grande do Sul é um dos maiores produtores de arroz e, portanto, teria abundância de matéria-prima para a produção do biochar. Mas é preciso avançar em pesquisas para entender como isso pode ser traduzido em benefícios reais para o produtor. O objetivo é transformar um resíduo que hoje é problema em solução, agregando valor e sustentabilidade”, afirmou.

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Segundo ele, a discussão envolve não apenas pesquisa, mas também viabilidade econômica. “É necessário pensar em escala e em instrumentos de financiamento. O BRDE, por exemplo, está avaliando possibilidades de apoiar projetos de fábricas de biochar em grande escala no Estado”, acrescentou.

O diretor-executivo da NetZero, Ricardo de Figueiredo, enfatizou os avanços já conquistados. “Somos a única empresa no mundo a produzir biochar em larga escala a partir de resíduos agrícolas. Já são quase 100 experimentos em culturas de Norte a Sul do Brasil, e nenhum deles apresentou produtividade inferior a 20% logo na primeira safra após a aplicação”, relatou.

Ele acrescentou que a tecnologia tem se mostrado essencial também para a recuperação de solos degradados, seja por mineração, enchentes ou desertificação. De acordo com Figueiredo, a NetZero já conduz projetos em parceria com governos estaduais, como em Minas Gerais, em áreas afetadas por barragens de mineração, e no Nordeste, no combate à desertificação. Agora, a empresa se aproxima do Rio Grande do Sul em busca de parcerias para aplicar o biochar na agricultura e também na recuperação de solos atingidos pelas enchentes no Estado.

Além de contribuir para a produtividade agrícola, o biochar gera créditos de carbono de alto valor agregado e energia renovável durante seu processo de produção. “Ele melhora a saúde do solo, aumenta a produtividade e reduz a dependência de insumos químicos. É uma oportunidade concreta de transformar resíduos em renda e em práticas agrícolas mais resilientes”, concluiu Figueiredo.