Expointer

Desafios para integração entre a lavoura e a pecuária são tema de debate na Expointer

Painel proposto pela Federacite reuniu especialistas para abordar o cenário da Integração Lavoura-Pecuária (ILP) no Estado.

Painel abriu a semana de programação na Federacite
Painel abriu a semana de programação na Federacite Foto : Camila Cunha

A integração entre a lavoura e a pecuária foi o tema de um painel promovido pela Federação dos Clubes de Integração e Trocas de Experiências (Federacite) e pelo Instituto Desenvolve Pecuária, realizado na manhã de segunda-feira (1º). O encontro reuniu especialistas para discutir as vantagens, os desafios e as perspectivas desse sistema no Rio Grande do Sul.

Segundo o diretor da Federacite, Paulo Costa Ebbesen, a proposta de levar a ILP para dentro da programação da 48ª Expointer foi abrir espaço para aprofundar a discussão sobre o tema e apresentar experiências práticas. “O objetivo deste painel é que nós consigamos tratar das questões que dizem respeito à integração lavoura-pecuária. As vantagens que traz ao pecuarista, as dificuldades na implantação do sistema e os resultados que têm se obtido ao longo deste período todo do processo”, destacou.

Ebbesen explicou que o painel foi estruturado para abordar diferentes realidades. Quatro painelistas foram convidados para o evento, que iniciou abordando a aplicação da técnica nas várzeas, seguindo da aplicação da ILP em coxilhas, buscando responder a um desafio estratégico do Estado. “Nós temos no Rio Grande do Sul uma enorme área ociosa no inverno. E essa integração permite que o produtor possa ter alguma renda também nessa época, em vez de deixar as áreas sem nenhuma cobertura vegetal”, acrescentou.

Um dos painelistas foi o pesquisador da Embrapa, Giovani Faé, que destacou a necessidade de avançar em alternativas além das forrageiras tradicionais. “Hoje a gente acaba ficando muito dependente da aveia e do azevém. E, quando pensa em alimento conservado, é a silagem de milho. Agora entra, em alguns casos, o sorgo. Mas, no nosso estado, se a gente for falar em termos de variabilidade de solo e clima, temos cinco países aqui, com uma oportunidade ambiental absurda para desenvolver várias tecnologias”, afirmou.

Faé defendeu que o investimento em novas opções pode garantir maior desempenho e sustentabilidade ao produtor. “Com o melhoramento de cereais de inverno, podemos ocupar esse ambiente todos os dias do ano, trazendo forrageiras que vão entregar maior desempenho animal. Vou dar esse enfoque principalmente no trigo, com cultivares que permitem conversões até 30% superiores ao tradicional. Isso viabiliza o negócio e ainda gera estoque de comida”, explicou.

Para o pesquisador, o sistema de integração lavoura-pecuária, quando bem manejado, tem ganhos superiores aos sistemas isolados, porém o principal desafio é garantir o equilíbrio desta gestão. “O problema é que não temos desenvolvido esse sistema da maneira certa. Aí acabamos penalizando, seja a lavoura ou a pecuária. O ponto principal é o produtor de gado e o produtor de grãos conseguirem trabalhar juntos para pensar o sistema o ano inteiro”, avaliou.

Faé ainda reforçou que a transição exige mudanças profundas. “Isso envolve mudança cultural, investimento em fertilidade e manejo adequado. Não é fácil, mas eventos como esse, dentro da Expointer, ajudam a dar luz a esse tema, porque a integração lavoura-pecuária, quando bem feita, aumenta a produtividade”, concluiu.

Além de Faé, participaram do painel o professor e pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Pedro Albuquerque, o gerente da Divisão de Assistência Técnica e Extensão Rural do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Luiz Fernando Siqueira, e o gerente técnico do Serviço de Inteligência em Agronegócios, Armindo Barth.

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