O presidente da União das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária do Rio Grande do Sul (Unicafes-RS), Gervásio Plucinski, instituição formada por 70 cooperativas, das quais 51 de agropecuária familiar, 13 de crédito e as demais de outras atividades, destacou, em visita à sede do Correio do Povo na Expointer, os benefícios que as iniciativas governamentais Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) promovem aos associados de suas filiadas. “As cooperativas menores têm no mercado institucional suas principais vendas”, descreve Plucinski. Ou seja, os programas suprem parte significativa de suas demandas com produtos oriundos de empreendimentos familiares.
O dirigente explicou que ampliação da obrigação de escolas e hospitais públicos, por exemplo, de comprarem 30% de seus alimentos da agricultura familiar, percentual que passará a 45% a partir do próximo Plano Safra 2025/26, como um “mercado extraordinário” às cooperativas filiadas. “É um mercado extremamente importante para nós. Além do fornecimento do alimento, é uma atividade que gera uma expectativa para o jovem continuar no campo”, acrescenta. Conforme ele, os planos e outras políticas públicas juntas ao associativismo são fundamentais para que o campo se torne atrativo aos filhos dos agricultores que, assim, prefiram se manter na atividade.
“Aí você tem uma agroindústria da família, o cara começa a fazer investimento porque enxerga nesse mercado uma possibilidade concreta. Se ele não tem uma atividade como essa, com uma área pequena, não consegue produzir soja e ser competitivo. Então, acaba investindo muito mais na fruta, na hortaliça, em alguma agroindústria, embutidos”, descreve.
“Um problema do mundo, de muitos países, é o envelhecimento, a sucessão (no campo). Tem comunidades inteiras que praticamente não têm sucessão”, conta. Desta forma, programas públicos animam o produtor a fazer investimentos e a manter o filho na atividade.
Tarifaço
Entre as demais dificuldades enfrentadas pelos agricultores familiares vinculados à instituição, Plucinski aponta o endividamento que atinge muitos produtores rurais gaúchos, ainda que considere os familiares menos endividados, e os efeitos do “tarifaço” de Donald Trump no segmento de laranja. O governo americano anunciou a tarifa de 50% paras as importações de suco brasileiro, e na sequência a baixou para 10%, mas neste meio tempo as indústrias reduziram as compras, e assim se estabeleceu um impasse, e como consequência não há mercado para esta laranja. “Muito por conta do clima que se criou e também porque há uma oferta grande de laranja. O Estado investiu bastante no tema da laranja”.
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