Expointer

Discursos de conciliação marcam inauguração do Pavilhão da Agricultura Familiar na Expointer

Autoridades estaduais e federais participaram de abertura oficial e reforçaram empenho para parcerias

Eduardo Leite: "Não vamos deixar que qualquer atrito atrapalhe nossa capacidade de trabalhar junto"
Eduardo Leite: "Não vamos deixar que qualquer atrito atrapalhe nossa capacidade de trabalhar junto" Foto : Mauro Schaefer / CP

No ano em que completa 25 anos na Expointer, o Pavilhão da Agricultura Familiar alcança uma média de R$ 1 milhão por dia em vendas – foram R$ 5,13 milhões em cinco dias, de sábado a quarta-feira. O número foi anunciado nesta quinta-feira, quando o espaço teve sua inauguração oficial e um palco político com presença do governador Eduardo Leite, dos ministros Paulo Pimenta (Reconstrução do RS) e Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário), além de representantes de entidades e parlamentares. Os discursos foram afinados e conciliatórios, com agradecimentos mútuos e promessa de diálogo e parcerias para a superação dos estragos causados pelas enchentes de maio no Estado.

No evento, Leite assinou decreto estadual voltado à regularização fundiária de assentamentos da reforma agrária e a destinação de R$ 12 milhões para custear a mão de obra para a construção de 600 moradias rurais, financiadas pelo programa federal Minha Casa Minha Vida (MCMV) Rural Calamidade. O governador gaúcho disse que o Pavilhão da Agricultura Familiar é o espaço da Expointer em que as pessoas saem mais felizes, pela dedicação dos empreendedores na produção. Leite agradeceu a parceria com o governo federal, dirigindo-se aos ministros Pimenta e Teixeira.

“Atrito a gente tem dentro de casa, com as pessoas que a gente mais ama. Não vai ser entre nós, que temos que trabalhar para o mesmo povo e não vamos deixar que qualquer atrito atrapalhe nossa capacidade de trabalhar junto”, salientou.

Em sua fala, Teixeira enumerou medidas tomadas pela União após as enchentes de maio, citando o adiamento de parcelas de crédito rural, a criação de fundo de aval para garantir crédito a produtores rurais e perdão de dívidas, em percentuais proporcionais às perdas. O ministro disse também que o governo mandou para o Congresso Nacional uma proposta para “desnegativação” dos agricultores que estão inadimplentes e declarou que o próximo passo será recompor o endividamento das cooperativas gaúchas, medida que pode ser anunciada na sexta-feira pelo ministro da Agricultura, Carlos Fávaro.

O titular do MDA disse ainda que a União fará investimentos para recuperar a infraestrutura dos os assentamentos federais no Estado e falou de uma análise feita pelo governo sobre financiamentos obtidos por agricultores gaúchos entre os meses de maio a julho de 2023 e 2024.

“Temos 3 mil agricultores que não tomaram crédito. Temos que fazer uma busca ativa, porque esses certamente estão em uma situação mais difícil. Temos certeza que estaremos tranquilos no dia em que o último agricultor que foi atingido seja atendido pelas políticas públicas do governo federal e do governo estadual”, destacou.

O ministro Pimenta referiu que o governo federal criou no ano passado o MCMV Rural Calamidade, depois das enchentes no Vale do Taquari, com previsão de R$ 65 mil por unidade habitacional. Este ano, o programa foi ampliado com 600 novas moradias, com recursos de R$ 85 mil para materiais de construção por moradia. Pimenta agradeceu ao governador Leite pelo apoio com recursos para a mão de obra. “Graças a essa parceria, estamos hoje em condições para a construção das primeiras 600 unidades, fruto deste trabalho”, afirmou Pimenta.

“Juntos somos muito mais fortes. Quando trabalhamos como estamos trabalhando, vamos surpreender o Brasil e o mundo. Vamos dar a volta por cima muito antes do que as pessoas imaginavam”, sublinhou Pimenta.

Os discursos reverenciavam a agroindústria familiar gaúcha, que está presente na Expointer com 413 empreendimentos rurais, sendo 30% deles comandados por jovens e outros 52% por mulheres. “Estamos fazendo a maior e maior feira, vindo das perdas que tivemos este ano”, disse o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag-RS), Carlos Joel da Silva. Joel agradeceu à União e ao Estado pelos recursos para casas rurais e para a reconstrução após as enchentes de maio. “Temos gratidão pelo atendimento a diferentes frentes da agricultura familiar pelo governo federal, mas sabemos que não é suficiente pelo tamanho da crise que temos”, pontuou Joel, que depois do evento teve reunião fechada com o ministro Paulo Teixeira para aprofundar o debate sobre as necessidades do segmento.

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