A pista mais emblemática da raça crioula, o Parque de Exposições Assis Brasil recebe novamente a final do Freio de Ouro, competição que reúne os cavalos mais bem preparados do ciclo. O evento, promovido pela Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC), acontece durante a Expointer e atrai competidores e criadores de Brasil, Uruguai e Argentina.
Mais do que troféus, o Freio de Ouro orienta os rumos do melhoramento genético da raça crioula. Os vencedores (Ouro, Prata e Bronze) tornam-se referência nacional e internacional, influenciando cruzamentos e aumentando o valor de seus descendentes.
A prova também consolidou o ginete como atleta profissional. Se antes eram peões de estância que competiam, hoje os cavaleiros são especialistas da modalidade. Neste ano, 48 fêmeas e 48 machos, selecionados após credenciadoras e classificatórias, disputam o título máximo da modalidade.
Integrante do tripé de seleção da raça crioula, ao lado da Morfologia e da Marcha de Resistência, o Freio avalia não apenas o desempenho técnico, mas também a resistência física e o temperamento dos cavalos e éguas finalistas. A morfologia analisa a conformação física e o padrão racial (e terá, neste ano, uma das maiores edições da história). Já a marcha, realizada geralmente na fronteira sul do país, submete os animais a um percurso de 750 km em 15 dias.
A final ocorre na Arena do Cavalo Crioulo e costuma reunir milhares de espectadores nas arquibancadas, durante as edições da Expointer, em Esteio. A entrada é gratuita mediante ingresso da feira, e a cobertura é feita pelos canais da ABCCC e veículos especializados.
Entre os competidores, faltando poucas semanas para a grande final, já é alta a expectativa. Vencedor da classificatória realizada no final de julho em Porto Alegre, Tomaz Marques Ignacio Gonçalves projeta esta que será sua 11ª final consecutiva.
“Final é final e tudo pode acontecer, mas estamos seguros de um trabalho muito focado e disciplinado ao longo da temporada e acreditamos que tem tudo para dar certo”, diz o ginete.
Gonçalves acumula conquistas de seis freios de ouro fora do Brasil, sendo quatro no Uruguai e duas na Argentina, além de outros quatro freios de prata, três de bronze e um de alpaca nos dois países. No Brasil, conquistou o freio de alpaca em 2020 e teve, no ano passado, seu melhor resultado, ficando com o freio de prata. Apesar do bom desempenho recente, ele evita previsão sobre o resultado em Esteio.
“Não gosto de criar expectativas em cima de resultados futuros. Acredito muito no trabalho diário. Fica melhor manter a cabeça focada no que realmente tem que ser feito, trabalhando focado no presente e confiante no processo para aproveitar ao máximo a final”, afirma Gonçalves.
Principal seleção realizada na América do Sul
O Freio de Ouro é a principal prova seletiva da raça crioula na América do Sul e uma das grandes atrações da Expointer 2025, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio. A trajetória rumo à final passa por oito etapas seletivas.
Tudo começa com as credenciadoras, organizadas pelos Núcleos de Criadores, que habilitam os conjuntos às classificatórias regionais — como Gaúcha Sul, Gaúcha Norte, Paraná, Santa Catarina e também as etapas internacionais no Uruguai e na Argentina.
Há ainda a classificatória aberta, voltada a conjuntos não classificados anteriormente, que têm uma última chance de conquistar vaga.
A primeira edição do Freio foi realizada em 1982 e contou com apenas 12 participantes. O vencedor foi Itaí Tupambaé, descendente do cavalo chileno La Invernada Hornero, um dos pilares genéticos da raça. Desde 1993, a competição passou a dividir as categorias por gênero, valorizando as particularidades morfológicas e funcionais de éguas e cavalos.
A decisão do Freio de Ouro 2025 ocorre entre os dias 1º e 6 de setembro. A lista de jurados da competição foi divulgada no dia 29.
A eles caberá a responsabilidade de conduzir as avaliações na finalíssima. Indicados pelo Colégio de Jurados e homologados pelo Conselho Deliberativo Técnico (CDT), os responsáveis pela avaliação das fêmeas serão Mário dos Santos Suñé, Rodrigo Diaz de Vivar e Telmo de Oliveira Peixoto.
Na categoria machos, a tarefa será de Carlos Marques Gonçalves Neto, Federico Arguelles e Francisco Kessler Fleck. O jurado reserva será Luciano Corrêa Passos.
Símbolo gaúcho
O Cavalo Crioulo foi adotado como símbolo do Estado em 2002 pela Assembleia Legislativa, junto com o quero-quero, a macela, o chimarrão e a erva-mate (além, claro, dos símbolos oficiais, o Hino, a Bandeira e o Brasão de Armas). A estimativa é de que o Rio Grande do Sul concentre 86,41% da manada de Crioulos do país, raça que acompanhou o gaúcho desde a colonização inicial da região.
O Crioulo chegou à área geográfica que hoje constitui o RS em 1634. A raça é originária dos animais de sangue andaluz e berbere, introduzidos no continente americano pelo aventureiro espanhol Álvar Núñez Cabeza de Vaca nos primeiros anos após o descobrimento do Brasil, e também os padres jesuítas Cristóvão de Mendonça e Pedro Romero.
As competições decisivas
- Morfologia – Avaliação da estrutura física e racial (proporção, aprumos, musculatura etc.)
- Andaduras – Avaliação das três marchas naturais da raça: tranco, trote e galope
- Figura – Percurso com mudanças de direção e precisão, delimitado por feno
- Voltas sobre patas e esbarrada – Giros, paradas bruscas e recuo em linha reta
- Mangueira – Prova com novilho, que exige apartação, domínio e duas pechadas
- Campo – Paleteadas em alta velocidade com gado, exigindo retomadas e controle
- Bayard/Sarmento – Etapa decisiva, com domínio de movimentos técnicos e retomadas.