Expointer

Governo do Estado assina acordos para avançar na produção de hidrogênio verde

Memorandos de entendimento foram assinados com as empresas Arpoador Energia e Mitsubishi Power, elevando para 11 o número de acordos para o setor

Evento foi realizado na Casa do Badesul durante a 47ª Expointer
Evento foi realizado na Casa do Badesul durante a 47ª Expointer Foto : Jürgen Mayrhofer/Governo do Estado/CP

quO Governo do Estado, através da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), assinou memorando de entendimento com as empresas Arpoador Energia e Mitsubishi Power para desenvolver projetos voltados à geração de energia renovável e à produção de hidrogênio verde (H₂V), em reunião realizada na Casa do Badesul, na Expointer 2024.

De acordo com o governador Eduardo Leite, o Estado possui uma grande capacidade de produção de hidrogênio verde, que pode acarretar em um avanço na transição energética do RS. “Esta é uma aposta de longo prazo do Estado. Estamos desenvolvendo a cadeia do hidrogênio verde, ainda emergente no mundo, mas que terá impacto positivo e transformador na nossa realidade econômica”, afirmou o governador.

Conforme a titular da Sema, Marjorie Kauffmann, o RS possui agora 11 memorandos com empresas de diferentes setores sobre o hidrogênio verde. “A ideia é que o Estado ajude a catalisar a cadeia, e esse momento reafirma o compromisso do governo no avanço dos projetos de uma economia sustentável, reforçando a matriz energética renovável do Rio Grande do Sul”, explicou.

O diretor do Departamento de Energia da Sema, Rodrigo Huguenin, citou ainda que a matéria-prima pode revolucionar a cadeia produtiva do RS, além do grande potencial para a exportação do hidrogênio verde. Segundo ele, alguns dos insumos mais utilizados do Estado no agronegócio e na indústria, como fertilizantes e hidrogênio, podem ser fabricados no RS a partir do uso desta nova matéria-prima, ajudando a descarbonizar a produção.

“Com o hidrogênio verde, a gente não terá mais volatilidade de importação e vai gerar um produto doméstico (fertilizantes e outros insumos) já com um comprador na casa. De certa forma, ele é o último elo, e talvez o mais forte, para a descarbonização e, dentro deste panorama, para fortalecer a indústria gaúcha. Talvez seja mais fácil de ser executado trabalhando com o mercado interno, mas outros países, principalmente da Europa, estão necessitados de uma outra rota que não seja apenas a do gás natural. E, nisso, o Brasil pode ser a Arábia do hidrogênio verde”, relatou.

Chamada Pública para projetos de biodigestores

O encontro também destacou o lançamento do edital de Chamada Pública para a implementação de biodigestores destinados à produção de biogás. O edital consiste no estabelecimento de critérios para enquadramento técnico de projetos de sistemas de aproveitamento energético a partir de biogás no âmbito do Programa Biogás-RS.

A iniciativa busca transformar resíduos orgânicos agropecuários em energia renovável, resolvendo problemas ambientais nas áreas rurais. Os dejetos são processados em tanques para produzir biofertilizante e biogás. Com 40% a 50% de metano, o biogás pode ser usado como combustível para aquecimento ou geração de eletricidade e, após purificação, é convertível em biometano, equivalente ao gás natural.

“O chamamento para a cadeia de biocombustíveis visa fomentar essa tecnologia, que pode ser produzida em pequena, média ou grande escala, ou até mesmo por meio de consórcios. Além de representar uma solução para o passivo ambiental dos produtores rurais, há um grande potencial econômico”, afirmou Marjorie.

Produtores rurais, grupos, pessoas jurídicas e cooperativas agropecuárias podem se beneficiar. As propostas devem ser enviadas até 15 de outubro, com resultados preliminares divulgados em 20 de novembro e finais em 20 de dezembro. Após a divulgação, os beneficiários poderão buscar financiamento com o Banco de Desenvolvimento do Rio Grande do Sul (Badesul).