Expointer

Integração lavoura-pecuária oferece mais estabilidade e resiliência para o campo gaúcho

Palestra no Senar na Expointer 2026 detalhou os benefícios e desafios da ILP

Instrutor do Senar e sócio da Geoplan, Cristiano Gotuzzo
Instrutor do Senar e sócio da Geoplan, Cristiano Gotuzzo Foto : Fabiano do Amaral

A integração lavoura-pecuária (ILP) consiste na associação entre agricultura e pecuária, utilizando o mesmo espaço em momentos diferentes. A prática não é nova, mas ainda tem baixa adesão no Estado. Dos 8,5 milhões de hectares destinados às lavouras de verão, apenas 2,2 milhões adotam o sistema. Durante a 49ª edição da Expointer, palestrantes de um talk show promovido pelo Senar destacaram que a integração pode ser uma alternativa para manter a renda das propriedades em meio ao cenário de incertezas do agronegócio.

“A gente sabe que a lavoura vem passando por maus momentos devido às estiagens. A pecuária traz uma renda garantida para o produtor porque a variabilidade produtiva da pecuária é muito menor do que a variabilidade da soja. Então, integrando a lavoura de soja com a pecuária, o produtor pode manter a renda e melhorar o sistema produtivo com os benefícios que a pecuária traz”, explica o sócio da Geoplan e instrutor do Senar, Cristiano Gotuzzo.

Segundo ele, a ILP pode aumentar a produtividade, reduzir a exposição às oscilações do mercado e garantir renda ao produtor durante diferentes períodos do ano.

Outro integrante da mesa foi o engenheiro agrônomo da PGG Wrightson Seeds, Leonardo Rodrigues Nunes. Ele destacou que a ILP torna a produção mais resiliente ao permitir que o solo seja aproveitado tanto no inverno quanto no verão.

“Normalmente, se faz uma pecuária bem-feita no inverno e um cultivo no verão. Esse é o modelo mais adotado da integração lavoura-pecuária hoje. Nesse modelo, que é muito utilizado com a soja e um pouco com o arroz, temos as plantas de inverno ciclando nutrientes e o animal como catalisador do sistema. Os nutrientes ficam mais ativos no solo e mais disponíveis”, afirma.

Qualificação e custos

Outro ponto destacado pelo engenheiro agrônomo é a necessidade de integração entre os conhecimentos dos produtores. Para ele, no Rio Grande do Sul, houve uma especialização dos agricultores e pecuaristas, mas, para o sucesso da ILP, é fundamental que exista interação e comunicação efetiva entre os dois setores.

“Não é porque temos lavoura no verão e gado no inverno que temos um sistema de integração lavoura-pecuária. Esse sistema precisa conversar, e as práticas precisam estar integradas. O sistema de integração lavoura-pecuária não é, basicamente, o pasto no inverno e o grão no verão. Ele vai muito além disso. O que torna esse sistema muito técnico, e isso pode ser uma das barreiras que ainda enfrentamos na adoção dessa maneira de produzir”, conclui.

Além da qualificação técnica sobre as duas atividades, outro obstáculo para a adoção da ILP é financeiro, como comenta Cristiano Gotuzzo.

“Hoje, a pecuária está bastante valorizada, então, para povoar uma área de pastagem, o custo é alto. Fica difícil para o lavoureiro querer entrar no sistema porque ele está sem renda e o produto está caro para ser adquirido”, explica Gotuzzo.

Os talk shows acontecem no estande do Senar, ao lado do Pavilhão Internacional, na Expointer 2026. A maior feira do agronegócio gaúcho acontece até 6 de setembro, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio.

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