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Na Expointer, produtores entregam manifesto pela viabilidade da produção orgânica de uva

Documento da Fecovinho aponta queda de 50% na produção em cinco anos e pede medidas para reduzir burocracia e garantir sustentabilidade ao setor

Hélio Marchioro (à dir.), da Fecovinho e Consevitis-RS, entrega manifesto ao titular da Superintendência de Agricultura e Pecuária do Estado, José Cleber Dias de Souza
Hélio Marchioro (à dir.), da Fecovinho e Consevitis-RS, entrega manifesto ao titular da Superintendência de Agricultura e Pecuária do Estado, José Cleber Dias de Souza Foto : Diego Adami / Sublinha! Comunicação / Divulgação / CP

A produção orgânica de uva, vinhos e suco de uva no Rio Grande do Sul foi tema de um manifesto entregue durante a Expointer, em Esteio. O documento, elaborado por produtores e agroindústrias vitivinícolas, foi apresentado pelo diretor-executivo da Federação das Cooperativas Vinícolas do Rio Grande do Sul (Fecovinho) e conselheiro do Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis-RS), Hélio Marchioro, ao titular da Superintendência de Agricultura e Pecuária do Estado (SFA/RS), José Cleber Dias de Souza.

O texto alerta para a redução de pelo menos 50% na produção de uvas orgânicas nos últimos cinco anos no Estado, resultado do aumento da burocracia, de condicionamentos legais considerados inadequados e de entraves no processo de certificação. Esse cenário, segundo os produtores, tem desestimulado a permanência de agricultores no sistema orgânico, diminuindo a oferta de produtos e elevando os preços ao consumidor.

Entre os principais problemas relatados estão:

1. atrasos na emissão e renovação de certificados, que prejudicam a comercialização e geram insegurança ao mercado;

2. exigências documentais excessivas e repetitivas, além de desorganização nos processos das certificadoras;

3. restrições ao uso de bordaduras para proteção contra deriva de agroquímicos, inviabilizando pequenas propriedades na Serra Gaúcha;

4. divergências entre certificação participativa e por auditoria, que criam desigualdade de critérios;

5. falta de conhecimento técnico de alguns auditores sobre a cultura da videira;

6. limitações no uso de insumos, sementes, mudas e equipamentos, que dificultam a viabilidade econômica do sistema.

O manifesto apresenta ainda uma série de propostas ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e ao Ministério do Desenvolvimento Agrário, entre elas:

1. renovação dos certificados em tempo hábil;

2. redução da burocracia e maior uniformidade nos processos de certificação;

3. revisão das regras sobre bordaduras em pequenas propriedades;

4. exigência de auditores com conhecimento em viticultura;

5. autorização para uso de insumos como metabissulfito de potássio e ácido nítrico;

6. Agilidade na autorização de sementes e mudas convencionais para sistemas em conversão;

7. cadastramento de áreas de produção orgânica como cultivo sensível, compartilhando responsabilidades de mitigação de riscos;

8. apoio a pesquisa, assistência técnica e difusão de tecnologias;

9. criação de políticas públicas específicas de incentivo e crédito diferenciado;

10. divulgação dos benefícios sociais, ambientais e de saúde dos alimentos orgânicos;

11. criação de uma linha de residência agrícola voltada à agroecologia.

O documento é um chamado urgente à construção de políticas públicas que garantam a sustentabilidade da viticultura orgânica. “Sem ajustes nas regras e maior apoio institucional, o setor corre risco de perder ainda mais produtores e comprometer a oferta de alimentos que têm papel fundamental para a saúde, o meio ambiente e a agricultura familiar”, destaca Marchioro, que também é vitivinicultur orgânico em Pinto Bandeira, na Serra Gaúcha.

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