Uma feira que bateu recordes de visitantes e de vendas no Pavilhão da Agricultura Familiar, mas que ficou aquém no que diz respeito aos negócios rurais. Esta foi a avaliação da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) sobre a 48ª edição da Expointer, realizada desde o dia 30 de agosto no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio.
De acordo com o presidente da Farsul, Gedeão Pereira, a feira foi marcada por características novas, como pelo grande número de visitantes, mas sofreu com os reflexos da crise financeira que parte do setor está passando. Ele destacou o retorno de infraestruturas de transporte e logística essenciais para o grande movimento, como o aeroporto e o trem, mas reforçou que os “negócios ficaram aquém do esperado”.
“A nossa Expointer tem essa característica de ser cada vez ano melhor. Foram grandes investimentos no parque, vários estandes novos. Evidentemente que os negócios foram aquém do esperado, principalmente no setor de máquinas agrícolas. Temos que festejar que tivemos aeroporto e Trensurb funcionando novamente. Isso foi definitivo para a presença de autoridades e de pessoas aqui na nossa feira”, explicou.
Gedeão Pereira também avaliou o anúncio de medidas do governo federal para ajudar na retomada dos produtores rurais. Segundo a entidade, a maioria deles consegue ser atendida dentro dos limites disponibilizados pela medida. Dos cerca de 65 mil produtores que foram levantados, menos de 5 mil não se enquadram.
“O limite não é o problema, mas sim o montante de recursos. Precisávamos de R$ 18 bilhões apenas para o RS e o governo anunciou R$ 12 bilhões para o país inteiro. São R$ 6 bilhões que vão faltar”, completou o economista da Farsul, Antônio da Luz.
O presidente da entidade explicou ainda que, após os anúncios na abertura da feira, a Farsul participou de uma reunião com os ministros Carlos Fávaro, da Agricultura e Pecuária (Mapa), e Paulo Teixeira, do Desenvolvimento Agrário (MDA). “O ministro Fávaro afirmou que têm consciência que (as medidas) não foram suficientes e que adiante, dependendo de como andarem as coisas, poderiam espichar um pouco. Isso é a promessa deles, mas é algo raro que não dá para considerar ainda”, apontou.
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Decisão judicial sobre herbicida no RS
O atual vice-presidente da Farsul e futuro presidente da entidade, Domingos Velho Lopes, também falou sobre a decisão judicial tomada em meio à Expointer que proíbe o uso do agrotóxico 2,4-D na região da Campanha. “É uma situação de deriva e extremamente delicada, pois estabelece um conflito entre produtores rurais e essa casa defende a todos. Concordamos que existe uma área de conflito maior e vamos tentar fazer um trabalho forte nestes locais para melhorar o relacionamento entre os produtores”, finalizou.