Nesta segunda-feira, a partir das 8h, o Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, começa a receber os cerca de 6,3 mil animais inscritos para participar da 45ª Expointer, que ocorre do dia 27 de agosto, próximo sábado, até 4 de setembro. Estrelas da festa, os animais de argola (aqueles que participam de concursos e julgamentos) permanecem no parque por quase duas semanas, longe da rotina de suas propriedades de origem e dos hábitos de cada raça. A amplitude térmica que pode ocorrer neste período - segundo os prognósticos climáticos, a semana começa com frio e com o passar dos dias pode se ter de 28º a 30º C de temperatura - requer atenção dos criadores para evitar que os animais adoeçam.
Parque Assis Brasil começa a receber animais para a Expointer
Desembarque dos exemplares de argola, aqueles que vão a julgamento, vai de segunda a sexta-feira
O presidente do Sindicato Médico Veterinário do Rio Grande do Sul (SIMVET/RS), João Pereira Júnior, explica que, em média, as espécies animais que frequentam a Expointer têm uma tolerância térmica entre 10º C e 25º C, passando a sofrer de algum incômodo quando esses limites são ultrapassados. O veterinário observa que há casos em que a temperatura influencia muito as condições do animal, como nos zebuínos, que padecem com o frio, e os bovinos Angus, para os quais o calor extremo é o mais desagradável.
"A variação de temperatura tem de ser considerada porque causa estresse no organismo, podendo gerar algumas síndromes metabólicas e baixa na imunidade do animal, abrindo a porta para doenças", comenta João Júnior. No entanto, o dirigente afirma que os problemas não são tão comuns, uma vez que os animais são preparados na origem para o ambiente da feira. "Os criadores costumam ambientar as raças que produzem em galpões antes da exposição e isto é muito importante para que os animais tolerem o ambiente", pontua.
Oferecer água clorada ou saborizada (já que terão de beber água fornecida por sistema urbano de tratamento) e colocar música alta nos galpões para que os animais se habituem com o barulho, são alguns dos conselhos dados por João Júnior para prevenir o estresse. Ele também destaca que o calor costuma ser mais nocivo que o frio para a maioria das espécies, porque a alimentação proporciona elevação natural da temperatura, então, a adaptação ao frio é mais fácil. "No caso do calor intenso, o fundamental é hidratar os animais com água gelada e tentar refrigerar os pavilhões com aspersores", conclui.