Foi recebida com cautela pelo presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Rio Grande do Sul (Fetag-RS), Carlos Joel da Silva, a possibilidade de uma nova proposta do governo federal para solucionar a dívida dos produtores rurais gaúchos atingidos pelos eventos climáticos sucessivos no Estado. “É um avanço, mas não resolve”, afirmou o dirigente, sobre a alternativa de prorrogação para sete anos, com carência de um ano. Nesta sexta-feira, dia 29, às vésperas da Expointer, que se inicia neste sábado, em Esteio, Joel disse acreditar que muitos agricultores deixarão de fazer novos investimentos e negócios na exposição em razão da dificuldade financeira.
Na quinta-feira, dia 28, o dirigente participou de uma reunião on-line, intermediada pelo senador Luiz Carlos Heinze (PP), com o vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do Banco do Brasil, Gilson Alceu Bittencourt, e o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello. Conforme Joel, por meio de uma medida provisória, os juros por ano seriam de 6% para os pequenos produtores, 8% para os médios e 10% para os grandes. Os recursos disponíveis somariam R$ 10 milhões.
“Nós esperávamos uma proposta do governo já há muito tempo, é saudável e importante mas não satisfaz a necessidade. Os juros são altos e o valor de R$ 10 milhões não atende a demanda. Precisamos, no mínimo, de R$ 25 milhões, e sete anos para muitos produtores é pouco (tempo). Mas pelo menos o governo está se mexendo e trouxe uma proposta”, ressaltou o presidente da Fetag-RS.
De acordo com Joel, também participaram da reunião on-line representantes da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado (FecoAgro/RS) e da Organização das Cooperativas do Estado do Rio Grande do Sul (Ocergs). “O produtor que está endividado nem vai para a Expointer, a não ser naqueles dias para cobrar os políticos (que visitarão a feira). Parte dos agricultores não têm condições de comprar máquinas agrícolas e implementos. É uma feira que será um pouco diferente, para mostrar a importância cada vez maior do produtor rural”, antecipou.
Conforme Joel, a entidade segue defendendo o Projeto de Lei 5122/2023, que aguarda ser apreciado no Senado Federal. De autoria do deputado federal Domingos Neto (PSD/CE), o PL trata do alongamento das dívidas rurais no país e autoriza a utilização de R$ 30 bilhões de recursos do Fundo Social do Pré-Sal para a criação de uma linha especial de financiamento, entre outros.
O ato simbólico de abertura dos portões da 48ª Expointer será hoje, às 8h, no Portão 2, do Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio. O secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Edivilson Brum, a subsecretária do Parque, Elizabeth Cirne-Lima, junto com os copromotores da feira estarão presentes. Um café de cambona vai recepcionar os primeiros visitantes.