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Radiografia consolida estatísticas da agropecuária gaúcha e destaca sua diversidade produtiva

Publicação da Secretaria da Agricultura foi apresentada nesta segunda-feira na Expointer

Paulo Lipp: "o agronegócio é a locomotiva da economia gaúcha"
Paulo Lipp: "o agronegócio é a locomotiva da economia gaúcha" Foto : Eduardo Patron / Seapi Divulgação / CP

A produção de soja continua sendo o carro-chefe do agro gaúcho, seguido pelos cultivos de arroz e a produção de carnes, mas uma das principais características do setor rural no Rio Grande do Sul é a sua diversidade produtiva. Os dados de diferentes culturas no ciclo 2023/2024 estão detalhados na Radiografia da Agropecuária Gaúcha, publicação do Departamento de Governança dos Sistemas Produtivos da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) lançada nesta segunda-feira na Expointer. A edição atualiza e amplia o leque de conhecimentos sobre o setor, incorporando dados de 65 cultivos agrícolas e mais 10 atividades de criações pecuárias.

“Essa diversidade do Rio Grande do Sul é uma escola que serve para o Brasil inteiro e também mostra como o agronegócio é a locomotiva da economia gaúcha”, destacou o coordenador da publicação, o agrônomo Paulo Lipp.

O servidor da Seapi ressaltou o papel do setor na economia do Estado. “Se pegarmos o Valor Bruto da Produção (VBP), em torno de R$ 100 bilhões gerados dentro da porteira, e multiplicarmos pelo fator 2,5, que é o que repercute em todos os segmentos da economia, veremos que 40% do PIB estadual depende do agronegócio”, disse.

Lipp destaca ainda que a adoção de sistemas de irrigação avançou 65% nas plantações de soja nas últimas quatro safras, passando de 150 mil para 214 mil hectares. Nas lavouras de milho, o salto foi de 80 mil hectares para 120 mil hectares. “Ainda é pouco em relação ao total, mas a evolução nesses últimos anos nos deixa animados para continuar crescendo”, analisou Lipp. O agrônomo ainda mencionou o peso do agronegócio nas exportações, sendo responsável por 76% de todos os embarques gaúchos, tendo o tabaco em crescimento.

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Conforme Lipp, o trabalho serve para estudar e conhecer os hábitos de produção e consumo e também para balizar políticas públicas. A edição compilou informações de instituições estaduais e federais como Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Emater-RS/Ascar, Central de Abastecimento do Rio Grande do Sul (Ceasa) e Seapi, além de entidades, associações e publicações.

A chefe da seção de estatísticas agropecuárias do IBGE no Rio Grande do Sul, Fernanda Assaife de Mello, reforçou que a soja tem aumentado sua área de produção anualmente e o arroz tem estabilidade. “Temos destaques para a produção de oliva e noz-pecã, culturas relativamente novas no Estado", disse. Fernanda observa que a canola é uma cultura em crescimento e que a pecuária enfrenta variações ao longo dos anos. No segmento leiteiro, ela atesta a redução de estabelecimentos e aumento do tamanho das propriedades, com produtores mais especializados.

Os dados atualizados servirão para medir os impactos das enchentes de maio no futuro da agropecuária gaúcha. “Ainda vamos ter muitos efeitos no longo prazo, tanto para produção agrícola quanto para a pecuária”, alerta. Os desafios de recuperação da capacidade produtiva em solos e a perda de rebanhos podem mudar o perfil da produção. “Vamos ter de acompanhar ao longo dos anos para ver como o produtor vai responder, como vamos nos recuperar”, pontuou Fernanda.