Expointer

Sabor inusitado para ganhar a clientela na Expointer 2025

Granja de Independência reúne a tradição do queijo colonial com o butiá em produto de identidade única na Feira de Agricultura Familiar

Andrea, que tem matéria-prima de rebanho próprio da raça Holandesa, utiliza o doce de butiá em calda para incrementar o queijo
Andrea, que tem matéria-prima de rebanho próprio da raça Holandesa, utiliza o doce de butiá em calda para incrementar o queijo Foto : Granja Dal Forno / Divulgação / CP

Na Expointer 2025, tradição e inovação vão se encontrar no Pavilhão da Agricultura Familiar. Direto do município de Independência, um queijo que carrega o sabor da terra e a memória dos butiazais da região Noroeste do Rio Grande do Sul será uma das receitas para conquistar o paladar dos visitantes. No Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, a sócia-proprietária da Granja Dal Forno, Andrea Meller Dal Forno, vai trocar a rotina da ordenha e da produção artesanal com a valorização da fruta nativa gaúcha, até 7 de setembro, pela dedicação em apresentar a iguaria láctea inusitada aos consumidores.

“Queríamos um (produto) que tivesse relação conosco, caracteriza-se com a nossa terra, o nosso chão e região. E o nosso terroir é de butiazais, uma planta nativa que existia muito aqui”, explicou Andrea sobre a ideia do queijo recheado com lascas de doce de butiá. A sócia-empreendedora da Granja Dal Forno garante que o produto final resultou muito delicioso ao paladar ao ser combinado com a fruta apurada em calda. “Foram feitos vários testes, com butiá fresco e até desidratado”, sublinhou.

Entre o seu aroma, textura e sabor, Andrea terá sua primeira experiência atuando na comercialização do produto na Expointer. No ano passado, quando a Granja Dal Forno estreou na feira agropecuária, a função tinha ficado com o seu marido e filha: Marcos Dal Forno e Mariana Dal Forno. “Em uma feira como a Expointer vendemos praticamente a produção de um mês inteiro. Em uma semana, em torno de mil quilos (de queijo). Evento assim é uma benção”, afirmou, entusiasmada. “Para nós que somos pequenos produtores, da agricultura familiar, é mais difícil entrar nos mercados pois são muito exigentes em relação ao lucro real. Então as feiras são o nosso maior ponto de vendas”, acrescentou.

Sobre o negócio, Andrea contou que a propriedade tem origem na família do seu marido, Marcos. “Nós colocamos (primeiro) uma leiteria e já trabalhamos com ela há 11 anos”, recordou. “Então, pensando em todas as dificuldades (do setor), pois não adianta ficar reclamando do preço do leite, temos que trabalhar com os custos e agregar valor e abrimos a queijaria faz dois anos”, complementou, justificando o empreendimento na agroindústria.

De acordo com Andrea, o portfólio de produtos inclui queijo colonial, prato, tipo parmesão e coalho, além de iogurtes artesanais. “Eu comecei primeiro a fazer os queijos em casa e a família passou a gostar e então inventei novos temperos”, ressaltou a sócia-proprietária que trabalhou por 25 anos como professora. Atualmente, a Granja Dal Forno transforma em torno de 8 mil litros de leite no produto lácteo, o que representa metade da produção leiteira. “Não é muito ainda, mas queremos aumentar à medida que formos sendo reconhecidos e ganhando mercado. Por isso, vamos muito às feiras, para tentar divulgar mais os nossos produtos”, detalhou. Sobre os iogurtes, sem conservantes, são elaborados de acordo com a demanda de pedidos. Segundo ela, principalmente para a merenda escolar, em torno de mil litros.

A matéria-prima vem do “quintal” da propriedade, de um rebanho composto por vacas da raça Holandesa. “Primamos em pegar menos cabeças mas de boa genética”, sublinhou Andrea. “São criadas a pasto, em ambiente mais natural possível para elas. São suplementadas também. As nossas meninas todas tem seu nome”, contou, orgulhosa. “No galpão de alimentação recebem silagem e um pouco de ração, conforme a produção de leite”, acrescentou, destacando que neste momento são 40 vacas em lactação.

Você já experimentou geleia de ruibarbo?

Se ainda não, a chance vai estar na Feira de Agricultura Familiar, a partir deste final de semana, na 48ª Expointer, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio. Planta originária do norte da Europa e ainda pouco conhecida no Brasil, o ruibarbo é o principal ingrediente de alimentos que levarão a agroindústria Fazenda da Cria e o município de São Francisco de Paula a estrearem em dose dupla na exposição. A família Martini Muller é a responsável pela inovação e se tornou a primeira produtora em larga escala dessa hortaliça no país. O cultivo começou de forma experimental há cerca de três anos, quando foram plantados os primeiros pés na área de 32 hectares. Hoje, a propriedade soma 35 mil plantas de ruibarbo, ingrediente que dá origem a uma série de produtos culinários.

“Nossa agroindústria oferece pães, cucas, tortas, bolachas, compotas, conservas, geleias, entre outros”, conta Isaura Martini Muller, filha de Sadi e Clarice. Gabriel, filho de Isaura, representa a terceira geração da família e é o responsável legal pela agroindústria. “Entre as geleias à base do caule da planta, destacam-se a chutney, ideal para acompanhar queijos, torradas e carnes, e a tradicional, de sabor doce”, explica Isaura.

Segundo a empreendedora, além de levar esses e outros produtos à Expointer 2025, o principal objetivo é difundir o potencial culinário do ruibarbo. “Hoje ele ainda é muito restrito à alta gastronomia e a chefs que estudaram fora do país”, observa.

A planta também é amplamente utilizada para fins medicinais, por possuir efeito estimulante e digestivo, graças à sua composição rica em senosídeos, que proporcionam ação laxante.

Até o ano passado, São Francisco de Paula, município com mais de 21 mil habitantes, não tinha representante no Pavilhão da Agricultura Familiar da Expointer. “Estive na feira em 2023 e me perguntei: cadê o povo de São Chico? Tinha representantes de cidades bem menores, mas ninguém daqui”, recorda Isaura Muller.

Isaura conta que tinha a intenção de participar da edição anterior, mas acabou ficando de fora devido à enchente e à impossibilidade de concluir a formalização da agroindústria a tempo. Neste ano, quando tudo parecia encaminhado, um novo desafio surgiu. No final de julho, a um mês da feira, um temporal destelhou o prédio da agroindústria onde os produtos são preparados, gerando um prejuízo de mais de R$ 100 mil às vésperas do evento. “Em meio à reconstrução, seguimos produzindo para a Expointer”, contou, resiliente.

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