Expointer

Secretaria da Agricultura promove debate sobre uso de bioinsumos no campo durante a 48ª Expointer

Especialistas apresentaram o cenário da utilização dos bioinsumos no RS, que possui percentual abaixo da média nacional

Especialistas falaram sobre o cenário dos bioinsumos no Brasil
Especialistas falaram sobre o cenário dos bioinsumos no Brasil Foto : Mauro Schaefer

A importância dos bioinsumos para o futuro da agricultura foi o foco do painel “Bioinsumos em Foco: Qualidade, Inovação e Futuro no Campo”, realizado na manhã de segunda-feira (1º) no auditório do estande do governo do Estado, no Pavilhão Internacional da 48ª Expointer. O encontro foi promovido pelo laboratório Agronômica e pela Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos (ANPII Bio), com a presença de especialistas e representantes do setor.

A gerente comercial da Agronômica, Amanda Rossi, e a coordenadora técnica da empresa, Rita Santin, abriram as discussões apresentando os trabalhos desenvolvidos pela companhia. Elas destacaram a identificação de diferentes micro-organismos em laboratório e a realização de testes para garantir eficiência e qualidade.

O conselheiro e fundador da ANPII Bio, Solon Araújo, lembrou que acompanha a evolução da área há mais de cinco décadas e defendeu a importância de levar esse debate à Expointer. “A gente está sempre inovando, sempre surgem coisas novas. Procuramos transmitir isso o mais rápido e claro possível para quem vai utilizar no campo, mostrando os resultados dos produtos e qual o ganho que ele poderá ter em termos de produtividade e rentabilidade. Essa comunicação contínua é a finalidade de se trazer essas palestras aqui”, afirmou.

Araújo também apresentou números sobre a adoção da tecnologia no país. Segundo ele, mais de 90% dos produtores de soja brasileiros utilizam bioinsumos, mas no Rio Grande do Sul esse índice não chega a 70%. Para o especialista, essa diferença se explica por uma interpretação equivocada. “O agricultor planta sem inoculante e vê que há nodulação, então conclui que não precisa mais usar. Só que a pesquisa mostra que a aplicação anual, mesmo em solos com alta concentração de bactérias, traz resultados positivos de até 8% em média. Ou seja, se o produtor quer um plus na sua produção, deve usar inoculante”, explicou.

Já o engenheiro florestal da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) e coordenador do Plano ABC+ RS, Jackson Brilhante, reforçou o papel dos bioinsumos na política estadual de agricultura de baixa emissão de carbono. Ele lembrou que o Rio Grande do Sul tem a meta de expandir o uso dessa tecnologia para 1 milhão de hectares até 2030. “É um número desafiador, representa mais de 10% da meta nacional. Mas o Estado ainda apresenta baixa adoção em comparação ao cenário brasileiro. Por isso precisamos cada vez mais trazer essa discussão, capacitar técnicos e garantir que a aplicação seja feita de forma correta para que a tecnologia entregue todo o seu potencial”, disse.

Brilhante destacou que os bioinsumos nasceram no Rio Grande do Sul, são de baixo custo e de fácil acesso, mas exigem cuidados específicos. “Às vezes, o produto não funciona não pela tecnologia em si, mas pelo uso inadequado, sem treinamento. E isso acaba queimando uma solução que tem enorme potencial de rentabilidade. Ainda mais agora, em um contexto de mudanças climáticas e de enchentes que empobreceram os solos gaúchos, a utilização de bioinsumos se torna fundamental para recuperar a parte biológica e reestruturar a produtividade”, avaliou.

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