Junto ao espaço dos cavalos Mangalarga está a loja familiar Malacara, que produz botas e acessórios. Francis Borba, 23 anos, que está à frente da empresa de Farroupilha, destaca que as comercializações estão melhores em relação ao ano passado. “O crescimento é superior a 50%. O nosso público não é aquele que vem visitar o parque, é o pessoal que está aqui para expor, para negociar, para comprar animais.”
Produtor de seus próprios itens, Borba explicou que a fábrica chega a parar as vendas para criar novos produtos para a feira. "Dois meses antes da Expointer, a gente para tudo e só produz para a Expointer. Trouxemos cerca de 800 pares de botas e a nossa produção mensal é de 200 pares por mês. E já estamos com trezentas encomendas para entregar após a feira", declarou. A preocupação com a qualidade, segundo ele, é um dos pontos fortes da marca. "Orientamos o cliente na hora da compra, possibilitando os ajustes para o bem vestir. Queremos que ele saia feliz, satisfeito e bem vestido, porque nos preocupamos com a imagem do produto", disse Borba. Uma bota masculina custa, em média, R$ 300,00 e a feminina varia de acordo com o material usado, de R$ 350,00 (couro de gado) a R$ 1.300,00 (couro de cobra).
Numa área mais popular, Santo Folchini, de Otacílio Costa (SC), de 72 anos, está na sua 30ª Expointer. Sua loja vende todos os acessórios da pilcha gaúcha, da bota com sola de pneu aos tradicionais ponchos de lã. "Temos toda a linha para montaria e para o gaúcho. O nosso chapéu vende muito bem. Temos preço, qualidade e condições de pagamento", disse Folchini. E reconheceu: "Esta vai ser a maior feira da história. Nossa venda está maior do que a do ano passado, a estrutura é melhor e o parque está mais organizado".
Uma outra atração é a venda de chapéus de couro de cabrito. Vindo de São Bento, na Paraíba, Evaldo Diniz, de 22 anos, está seguindo os passos de um primo, que esteve aqui no ano passado e realizou bons negócios. "Este ano ele não pôde vir e eu vim no lugar dele. Temos redes, colchas, tapetes e outros produtos artesanais, mas o que eu mais vendo é o chapéu. Ele é produzido lá na minha cidade pelas artesãs, feito a mão, e o povo tem gostado.” Cada chapéu é vendido por R$ 35,00, mas Diniz alerta que vale a pechincha. "Eu acho que vou conseguir vender tudo até o fim da feira. Trouxe mais de 300 chapéus e já vendi uns cem", afirmou.
Uma loja que tem feito bons negócios é a Correaria Camaquense, de Pelotas. Cláudio Onor Silveira, de 51 anos, contou que durante a realização do Freio de Ouro, o estabelecimento teve que ser fechado com cordas, tamanha a quantidade de pessoas entrando e saindo do ambiente. "Tive que botar uma faixa para o público não entrar. Muita da mercadoria que trouxe para toda a feira acabou no domingo mesmo. Trabalho especialmente em cima do Freio de Ouro. Nossa expectativa é de alcançar resultados 60% superiores ao do ano passado."
Segundo o proprietário, um pilcha completa, com botas, bombacha, camisa, lenço, pala, chapéu e acessórios pode sair entre R$ 1.000,00 a R$ 1.200,00. Silveira ressaltou a boa negociação feita com produtores da América Latina. "Nossas encilhas foram vendidas para Argentina, Paraguai e Uruguai e outros países, tamanha a procura nesse fim de semana.” Os produtos são fabricados em Pelotas. A empresa tem 26 anos de mercado e tem diversifica do a produção. “Agora, estamos colocando adereços para as prendas, como brincos, anéis, colares e pingentes, tanto em ouro 18 quilates quanto em prata. E temos vendido tudo.”
Além disso, Silveira fala da preocupação da loja em resgatar a tradição. “Recuperamos peças feitas no início do século XX em alpaca. Limpamos e trocamos ou reformamos a parte de couro e revendemos", garantiu. Silveira está na Expointer há 22 e afirmou que cada ano a feira aumenta. "E nós crescemos com a feira. Estamos até produzindo grife com os campeões do Freio de Ouro, já que acompanhamos o ciclo dos eventos de cavalo Crioulo.”