Rural

Preço de carnes, ovos e leite pode aumentar a partir de abril

Agricultores e indústrias de proteína animal alertam que cortes nos benefícios ficais estaduais elevarão custos no campo

Corte de benefícios fiscais em abril deve onerar industrias de carne
Corte de benefícios fiscais em abril deve onerar industrias de carne Foto : Wenderson Araujo/Trilux/CP

A 22ª Expoagro Afubra foi palco de manifestações acerca de decretos estaduais previstos para entrar em vigor no dia 1° de abril. As novas regras determinam o fim de incentivos tributários a diversos setores da economia gaúcha, dentre os quais o de proteína animal e o de defensivos agrícolas.

As mudanças, na prática, resultarão no aumento de ICMS de 7% para 12% em alguns produtos e irão onerar outros ainda não tributados, como os ovos. Também atingem a competitividade das indústrias avícola, suinícola, frigoríficos e laticínios, além de impactar o custo dos defensivos agrícolas.

“Os cortes poderão gerar aumentos consideráveis no preço do quilo da carne de frango e derivados”, assegura o presidente da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), José Eduardo dos Santos.

Entre os decretos que mais preocupam estão os n° 57.363, 57.365 e 57.411, publicados no Diário Oficial do Estado (DOE) ao final do ano passado. Segundo afirmou o vice-governador do Rio Grande do Sul, Gabriel Souza, durante a Expoagro Afubra, o Estado discute alternativas para atenuar os impactos das medidas.

“Queremos entender qual é a demanda, se há realmente necessidade de algum avanço ou de um recuo”, disse o vice-governador.

O economista-chefe da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Antônio da Luz, garante que o corte de incentivos fiscais encarecerá as carnes no varejo e aumentará o peso dos defensivos porque as indústrias terão de contribuir para o Fundo de Reforma do Estado. O reflexo, adianta, passará pela elevação do preço da alimentação animal, cujas rações têm como matéria-prima o milho.

“O produtor pagará um novo imposto para o qual não recebe nenhum crédito”, destacou Da Luz.

Enquanto isso, o setor primário mobiliza-se afim de reverter ou, no mínimo, prorrogar a entrada em vigor dos decretos. “As entidades tentam ‘de todas as formas’ convencer o governo que o corte de incentivos é um caminho inadequado para o ajuste das contas”, afirma o especialista.

No entanto, Da Luz reconhece: “Alguma coisa tem de ser feita, pois o desequilíbrio fiscal não é o do interesse de ninguém”, comenta. O economista será um dos debatedores do almoço “Tá Na Mesa”, promovido pela Federasul, em Porto Alegre nesta quarta-feira, dia 20. O encontro reunirá representantes e lideranças de todos os setores produtivos impactados pelas medidas a partir das 11h.

Impacto será de R$ 1 por dia ao consumidor, informa Sefaz

Recente análise da Receita Estadual indica que a reoneração dos alimentos representará, para uma família média do Estado, um aumento de cerca de R$ 381 por ano, o equivalente a R$ 1 por dia e que corresponde a apenas 0,3% da renda das famílias.

Conforme os cálculos da Secretaria da Fazenda (Sefaz), os produtos da cesta básica que deverão sofrer a maior variação de preço são os hortifrutigranjeiros, como banana, tomate e ovos, que poderão apresentar um incremento de 13,6% no valor final.

“O aumento, no entanto, não será percebido pelos consumidores caso esses itens sejam adquiridos em feiras e estabelecimentos de menor porte, que permanecerão isentos do recolhimento de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS)”, informou o governo do Estado.

A argumentação técnica acerca das alterações na concessão dos benefícios fiscais foi publicada na semana passada no site oficial do Executivo Estadual.