Uma nova tecnologia está sendo implementada para frear a disseminação da dengue em Porto Alegre. A Prefeitura, em parceria com o Ministério da Saúde e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), iniciou nesta quarta-feira a instalação de 120 Estações de Disseminação de Larvicidas (EDL) no bairro Vila João Pessoa, na zona Leste, depois de fazê-lo no Passo das Pedras, Vila São José e Bom Jesus.
A região é considerada pela Administração uma das mais críticas em relação à proliferação do mosquito Aedes aegypti. Porto Alegre viveu, em 2025, seu pior ano de registros da dengue, com 23.144 casos e 25 mortes. Em 2026, ainda não há casos confirmados, mas existem 50 notificações, conforme o painel público de arboviroses da Prefeitura.
“Esperamos um ano difícil novamente. A expectativa é que mantenhamos um índice de infestação muito elevado, embora não possamos prever quantos casos possamos ter. Os números de 2025 nos trazem um panorama não muito bom para 2026, porque são períodos muito próximos”, disse o médico veterinário do Núcleo de Vigilância de Roedores e Vetores da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), Alessandro Coelho.
“O recado é de cuidado, e neste período, precisamos aumentar a atenção com os pátios, eliminando criadouros, se protegendo na medida do possível, usando telas e repelentes. Quando houver algum sinal ou sintoma de dengue mais característico, como febre, dor no corpo, procurar atendimento médico rapidamente e nunca se automedicar”, acrescentou.
"Mesmo com a vacina a caminho, ainda não sabemos o efeito dela para os casos, porque ela pode não estará disponível para todos em um primeiro momento. Mas ela vai ser um divisor de águas quando houver disponibilidade geral”. A aposentada Vera Rodrigues foi uma das que recebeu o equipamento em casa nesta quarta. “Acho muito importante prevenir. Eu mesma nunca peguei dengue, mas meus vizinhos já”, disse ela.
Nível de alerta
Ainda de acordo com Coelho, o período de pico depende do clima, porém ele alerta que calor e chuvas são ideias para a proliferação do inseto transmissor da dengue, chikungunya e zika. O ponto máximo de infestação e casos na Capital, segundo o veterinário, é entre abril e maio. “Podemos esperar um comportamento semelhante ao dos demais anos em 2026”.
O chamado Índice Médio de Fêmeas de Aedes aegypti (IMFA) esteve no nível de alerta na Capital, com índice 0,54 entre os dias 28 de dezembro de 2025 e 3 de janeiro de 2026, segundo a SMS. Foram coletadas fêmeas em 179 armadilhas das 561 vistoriadas, representando 31,9% de positividade para o mosquito.
O IMFA tem aumentado nas úitimas três semanas. Valores acima de 0,6 indicam condição crítica. Os seguintes bairros já apresentam índice crítico: Aparício Borges, Auxiliadora, Azenha, Bom Jesus, Cavalhada, Chácara das Pedras, Jardim Botânico, Jardim do Salso, Jardim Europa, Jardim Leopoldina, Jardim Sabará, Medianeira, Menino Deus, Nonoai, Parque Santa Fé, Partenon, Petrópolis, Rubem Berta, Santa Rosa de Lima, Santa Tereza e Vila Ipiranga.
O que é a nova tecnologia
A tecnologia instalada pela Prefeitura compreende uma armadilha com potes plásticos, nos quais há uma tela interna impregnada com um larvicida em pó, em baixas concentrações, e água. Ele, por sua vez, impede o desenvolvimento da fase larval do vetor, inibindo a transformação em mosquito adulto.
Os mosquitos que ingressam no local são atraídos pela água, e, ao entrar em contato com ela, eles também acabam levando o larvicida para outros criadouros. No Rio Grande do Sul, somente a Capital, onde a implantação das EDLs começou no segundo semestre de 2025, e Rio Grande participam deste projeto-piloto do ministério.