Saúde

Audiência pública debate estratégias para diminuir filas de espera do SUS no Rio Grande do Sul

Entre as principais medidas debatidas, está a implementação das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS), auditoria do sistema de consultas e internações e aplicação dos 12% de recursos da saúde do governo estadual

Audiência Pública para debater as filas de espera do Sistema Único de Saúde na ALRS
Audiência Pública para debater as filas de espera do Sistema Único de Saúde na ALRS Foto : Pedro Piegas

Uma audiência pública para debater as filas de espera do Sistema Único de Saúde (SUS) lotou o plenarinho da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul na manhã desta quarta-feira, dia 4. O encontro foi promovido pela Comissão de Saúde e Meio Ambiente e que teve como proponente o deputado estadual Paparico Bacchi (PL), e reuniu vereadores e presidentes da Câmara de Vereadores de municípios do estado, além de entidades municipais e estaduais da saúde. Entre as principais medidas debatidas, está a implementação das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS), auditoria do sistema de consultas e internações e aplicação dos 12% de recursos da saúde do governo estadual.

De acordo com Bacchi, a audiência foi proposta para pensar em estratégias de soluções para a diminuição das filas do SUS, que são gerenciadas pelo Sistema de Gerenciamento de Consultas (Gercon) e pelo Sistema de Gerenciamento de Internações Hospitalares (Gerint).

O deputado Neri, presidente da Comissão de Saúde e Meio Ambiente, destacou que o problema assola diretamente a vida das pessoas diretamente na fila dos sistemas. “É um bom momento para debatermos e ver alternativas de encaminhamentos para que a gente possa buscar amenizar esse problema, principalmente no inverno, em que a tendência é de aumentar as filas no sistema Gercon”, afirmou.

O deputado Paparico afirmou que o Rio Grande do Sul tem, em fila, 670 mil pedidos de consulta via SUS. Como ex-prefeito e secretário da saúde, ele disse que sempre acompanhou as dificuldades das demandas na saúde. “Esse é o número que temos hoje de consultas pendentes no sistema. São 201.950 pacientes na espera por consultas com médicos e dentistas em Porto Alegre, somente aqui na Capital. 164.799 pacientes aguardam na fila por exame de diagnóstico. No estado, 2.430 pessoas morreram ao longo dos anos de 2023 e 2024 aguardando a serem chamadas para uma consulta SUS”, numerou. Ele lembrou, também, que os hospitais filantrópicos e públicos de Porto Alegre acumulam um débito financeiro na casa de 1 bilhão de reais.

Paparico debateu que, hoje, muitas doenças não são palpáveis, e que são dificilmente diagnosticada com exames. Além disso, que o Brasil tem um dos maiores índices de depois a ansiedade nós evoluímos para depressão. Como presidente da Frente Parlamentar em Defesa das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde, ele defende que as PICS devem estar nos postos de saúde como atividades opcionais. “Não tirando lugar do médico, mas que estejam presentes”, afirma.

"Que elas possam estar dialogando nos postos de saúde, sendo implementadas e qualificando, especialmente, os nossos enfermeiros e técnicos de enfermagem concursados, para que eles se especializem em uma das 27 práticas integrativas de saúde que já existem. Que as práticas integrativas de saúde também cheguem aos postos e possam competentemente serem instalados”, diz. Ele acredita que uma saída para diminuir as filas no SUS é ter diálogo entre a medicina tradicional e a alternativa.

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O vereador de Itaqui, Eduardo Kuman, que sugeriu a audiência, afirma que as principais dificuldades dos sistemas de saúde nas outras regiões são as distâncias. “Itaqui é uma das cidades mais distantes da de Porto Alegre e das referências de saúde do nosso estado. Nós precisamos que o estado, ele olhe com olhares especiais para a nossa região. Nós não temos dinheiro para trazer os nossos pacientes durante todo mês para as consultas especializadas”, diz.

O deputado Osmar Terra, que acompanhou virtualmente a sessão, defendeu que as filas do SUS não se resolvem aumentando o número de especialistas, que precisam de muitos anos de preparação, mas resolver a base do sistema. “Não se constrói uma pirâmide começando pelo topo. O sistema é um todo. Ou o sistema funciona todo integrado, ou nunca vai ter especialista suficiente para atender uma demanda que cada vez vai ser maior. O topo da saúde tem que ‘matar no peito’, tem que resolver o problema do doente”, declara. Ele defende a necessidade de se trabalhar com indicadores, e que o sistema de saúde deveria ser federalizado, com os maiores salários pagos pelo Governo Federal.