O Brasil recebeu nesta segunda-feira 2,1 milhões de unidades de insulina glargina para ampliar o abastecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) no tratamento de pessoas com diabetes tipo 1 e 2. De acordo com o Ministério da Saúde, a entrega representa um passo importante na estratégia de fortalecimento da produção nacional de medicamentos, reduzindo a dependência do mercado externo. Até o fim do ano, mais 4,7 milhões de unidades do medicamento chegarão para a pasta.
Este primeiro lote foi adquirido por meio de Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), mecanismo criado para ampliar o acesso a medicamentos. Com a transferência da tecnologia para o laboratório público de Bio-Manguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a insulina passará a ser produzida no Brasil, com a produção viabilizada pela empresa nacional de biotecnologia Biomm. Atualmente, a tecnologia pertence à farmacêutica chinesa Gan&Lee.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que a iniciativa reforça o papel do SUS na garantia de acesso e fortalece a soberania sanitária do país. “Uma grande parceria que traz garantia e segurança para os pacientes que têm diabetes. Isso é parte de uma política do Governo Federal de usar o poder de compra do SUS para aumentar o desenvolvimento industrial brasileiro, a fim de garantir medicamentos gratuitos e assistência farmacêutica à população”, afirmou.
O investimento do governo federal para as aquisições em 2025 foi de R$ 131,8 milhões. A ação integra as iniciativas do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS), promovendo inovação e reduzindo a dependência externa. Em uma ação inédita na América Latina, o projeto de Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) também contempla a produção nacional do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA), componente principal do medicamento.
A fabricação ocorrerá na unidade da Fiocruz no Ceará, referência em pesquisa, desenvolvimento e produção de vacinas, biofármacos e terapias avançadas destinadas prioritariamente ao SUS. Para viabilizar essa autonomia, o investimento da União é de R$ 510 milhões, por meio do Novo PAC. Ao final do processo, o país terá domínio completo de todas as etapas de produção, garantindo maior estabilidade no fornecimento do medicamento aos usuários do SUS e impulsionando o desenvolvimento tecnológico no país.
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Mario Moreira, presidente da Fiocruz, destacou o impacto da entrega. “Essa primeira entrega tem um simbolismo muito grande. É a ciência e tecnologia a favor do fortalecimento do SUS e diminuindo a dependência do mercado externo para a produção de medicamentos no país. Com isso, temos mais soberania, geração de emprego e ampliação do acesso ao tratamento para milhões de brasileiros”, disse.
No caso da insulina glargina, a transferência de tecnologia entre a farmacêutica Gan&Lee e a Biomm começou após a primeira compra do medicamento, realizada no fim de outubro deste ano. A previsão é atingir a produção anual de cerca de 70 milhões de unidades por ano. O projeto também prevê etapas como embalagem, controle de qualidade e fabricação do produto acabado no Brasil, permitindo a produção integral do medicamento que será distribuído pelo SUS.
Além da insulina glargina, o governo brasileiro também firmou parceria para a produção de insulinas NPH e Regular, em frascos e tubetes. O acordo envolve a farmacêutica indiana Wockhardt, o laboratório público Fundação Ezequiel Dias (Funed) e a empresa brasileira Biomm. A transferência de tecnologia já começou, com 710.356 unidades entregues. A expectativa é atingir a produção de 8 milhões de unidades até 2026, com R$ 142 milhões em investimentos federais.