Começou nesta segunda-feira a campanha de vacinação contra a gripe em todo o país, com a meta de imunizar 90% dos grupos prioritários do calendário nacional de vacinação. Em Porto Alegre, onde está disponível em todos os postos o imunizante trivalente, que protege contra os vírus da Influenza A H3N1 e H3N2 e Influenza B, logo cedo houve filas no Centro de Saúde Modelo, um dos principais da Capital.
Idosos a partir de 60 anos compareceram ao local logo cedo em busca da imunização, porém o atendimento a eles foi rápido. Além deles, podem se vacinar a partir desta segunda crianças de seis meses a menores de seis anos, gestantes, puérperas, povos indígenas e quilombolas, devido a estes serem grupos mais suscetíveis a contaminações mais graves. De acordo com a Prefeitura, são 736,9 mil pessoas aptas a se imunizar já nesta primeira semana.
“Desde o primeiro dia, nos preparamos para esta alta demanda, mas acredito que nas próximas horas o movimento já diminua um pouco. Acompanhamos anualmente e este comportamento dos idosos é normal, muita gente busca já se imunizar nos primeiros momentos”, disse o enfermeiro e responsável técnico da Diretoria de Atenção Primária à Saúde da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), Leonardo Rodrigues. De acordo com ele, o efeito do imunizante inicia 15 dias após a aplicação da vacina.
Primeiro dia de vacinação contra gripe para grupos prioritários
“É importante salientar que a vacina é atualizada todos os anos, porque há mudanças nas cepas que requerem atenção”, prosseguiu ele. Outra mudança em 2025 foi a realização da campanha de maneira permanente, sem um final oficial. “Vimos que não adiantava fazer com o início do inverno, porque o vírus da gripe não é sazonal, mas pode ocorrer o ano todo. Agora, há uma estratégia de vacinação, ela inicia com a atualização da vacina, mas vai até dezembro, quando vem a próxima. Isto começou oficialmente neste ano, mas em 2024 já foi assim”, disse Rodrigues.
Também conforme a Prefeitura, o Rio Grande do Sul registrou, em 2024, 16.409 hospitalizações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), doença respiratória causada por complicações do vírus influenza, causando a morte de 1.463 gaúchos, ocasionando uma mortalidade de 12,7%. Em Porto Alegre, houve 2.950 hospitalizações e 177 mortes em 2024, mortalidade de 1,54%.
Neste ano, a mortalidade por SRAG é ainda maior, de 17,6% no RS, representando 173 mortes para 2.021 internações. As moradoras Nayr Lima Ribeiro, 85 anos, do Partenon, e Maria Teresinha Bianchi, 64, da Cavalhada, estiveram no Modelo nesta manhã para aproveitar a imunização e não se importaram com a extensa fila. “Estamos aqui na espera de uma vacina e, para mim, aproveitei que tinha um compromisso no Centro Histórico e vim aqui”, disse Nayr.
“Fico preocupada com a falta de fé na vacina, a não-aceitação da ciência. As pessoas continuam não acreditando que a vacina realmente salva vidas, têm uma visão distorcida da realidade”, acrescentou Maria Teresinha. Para a vacinação de 2025, o Ministério da Saúde adquiriu 73,6 milhões de doses para distribuição no país. No primeiro semestre, serão distribuídas 67,6 milhões de doses para as regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste.
Próximas etapas da vacinação
- Segunda semana (14 a 17 de abril): trabalhadores da saúde, educação, pessoas com comorbidades, com deficiência, pessoas em situação de rua, entre outros.
- Terceira semana (22 a 25 de abril): forças de segurança, caminhoneiros, trabalhadores do transporte coletivo, portuários e Correios.