O Brasil contém, hoje, 5,9 milhões de doadores de medula óssea cadastrados no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome). No Rio Grande do Sul, são 387 mil doadores cadastrados no banco, 31% do total da região Sul. O país tem o terceiro maior banco de doadores do mundo. Porém, a compatibilidade genética, decisiva para a realização do transplante, ainda é rara, ocorrendo em apenas 1 a cada 100 mil pessoas. Para muitos pacientes com leucemia e outras doenças graves do sangue, o transplante é a única chance de cura.
Com o objetivo de conscientizar sobre o tema, o Instituto Pietro promove até o dia 21 a 16ª Semana de Mobilização Nacional para a Doação de Medula Óssea, instituída pela Lei Pietro (Lei 11.930/2009). A iniciativa promove palestras e ações de incentivo ao cadastramento de novos doadores no TecnoPuc e Instituto Caldeira.
Beto Albuquerque, presidente do Instituto Pietro e criador da lei, colocou no Instituto o nome de seu filho, que perdeu aos 17 anos por conta de leucemia. O principal objetivo da discussão, segundo ele, é combater a desinformação sobre como é feita a doação e estimular mais cadastros. "Esse é um tema que nós temos que tratar sempre, todos os dias, porque temos ao redor de 12.500 casos novos, todos os anos, de leucemias ou de câncer no sangue. É preciso fazer frente a isso pra gente não perder vidas, ao contrário, pra gente salvar", afirma.
Nesta terça-feira, uma ação no Tecnopuc, em Porto Alegre, buscou facilitar o processo de cadastramento de doadores. Entre eles, esteve a estudante de jornalismo Luiza Mello, 19 anos. "Foi muito simples. Achei que iria ser mais demorado. Tenho um pouco de medo de agulha, mas foi bem tranquilo e rápido", relata. "Acho que é muito importante doar, tem muitas pessoas contando com essa doação".
O Hemocentro do Rio Grande do Sul realiza captação de sangue de doadores. De acordo com Ana Dagord, responsável pelo setor de captação, pelo menos a cada uma semana há registro de compatibilidade. "Temos muitos cadastrados, mas precisamos renovar, porque as pessoas saem ou, conforme a faixa etária, elas vão saindo do cadastro. Precisamos estar constantemente renovando esse cadastro. É importante que tenhamos doadores novos a cada ano", afirma.
A profissional também destaca a importância de responsabilizar-se pelo cadastramento, atualizando seus dados caso mudem e que esteja presente caso haja a compatibilidade. "No momento em que formos fazer o chamado para a segunda coleta de compatibilidade, que a pessoa compareça para ser um doador de medula, porque tem essas pessoas que se cadastram e acabam não se informando muito depois", pontua.
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Como ser um doador
- Em um hemocentro, o voluntário à doação irá assinar um termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE), e preencher uma ficha com informações pessoais.
- Será retirada uma pequena quantidade de sangue (10ml) do candidato a doador.
- O sangue será analisado por exame de histocompatibilidade (HLA) para identificar as características genéticas que vão ser cruzadas com os dados de pacientes que necessitam de transplantes
- Os dados pessoais e o tipo de HLA serão incluídos no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome).
- Quando houver um paciente com possível compatibilidade, o doador será consultado para decidir quanto à doação. Por este motivo, é necessário manter os dados sempre atualizados.
Como é feita a doação
- O procedimento é feito em centro cirúrgico, sob anestesia peridural ou geral, e requer internação de 24 horas.
- A medula é retirada do interior de ossos da bacia, por meio de punções.
- O procedimento leva em torno de 90 minutos.
- A medula óssea do doador se recompõe em apenas 15 dias.
- Nos primeiros três dias após a doação, pode haver desconforto leve a moderado, que pode ser amenizado com o uso de analgésicos.
- Os doadores retornam às suas atividades habituais depois da primeira semana após a doação.