Saúde

Comissão da Assembleia debate modelo de assistência a saúde mental no RS

Falta de tratamento psicossocial com relação as tragédias no Estado foram alguns dos temas abordados

Audiência foi presidida pelo deputado Thiago Duarte
Audiência foi presidida pelo deputado Thiago Duarte Foto : Victor Franciscatto / ALRS / CP

A Comissão de Saúde e Meio Ambiente promoveu audiência pública, em formato híbrido, para debater a falta de tratamento em saúde mental e sua relação com as tragédias sociais no Rio Grande do Sul. A proposição e a condução do debate foram do deputado Thiago Duarte.

O parlamentar defendeu a revisão da lei psiquiátrica estadual (Lei 9.716/1992), que deveria ter sido revista quando completasse 10 anos, mas já se passaram mais de 20 anos de sua existência. "Já passou do momento da gente revisar a dita lei da reforma psiquiátrica nesse novo contexto", concluiu.

O encontro teve representantes das secretarias municipal e estadual de Saúde, da Polícia Civil, do Instituto Psiquiátrico Forense, do Hospital São Pedro e renomados psiquiatras como Antônio Geraldo, presidente da Sociedade Brasileira de Psiquiatria. "Estamos 30 anos atrasados no atendimento em Saúde mental da rede pública. É uma idiotice acabar com hospitais psiquiátricos. E os Caps, não existe estudo que mostre a eficiência", observou Geraldo.

A representante da Secretaria de Saúde de Porto Alegre Cristiane Strack informou que a Capital possui uma das redes mais completas em saúde mental do Brasil. Ela defendeu que é preciso discutir as consequências do fechamento dos manicômios judiciários.

Pela Secretaria Estadual de Saúde, Miriane Castilhos Oliveira apresentou dados sobre a saúde mental e apoio psicossocial na situação da calamidade de 2024. Ela trouxe alguns números do RS, como a existência de 224 Centros de Atenção Psicossocial (CAPs), 1472 leitos em hospital geral e 632 em hospital psiquiátrico.

Thiago Duarte ressaltou que é preciso respeitar a pessoa com transtornos, terminar com o estigma de quem precisa de tratamento adequado e não é acolhido no sistema público. "Vamos encaminhar um pedido de providências às secretarias municipal e estadual. Queremos saber quantos leitos psiquiátricos foram reduzidos e o tempo médio de espera para internação, entre outros questionamentos", afirmou o parlamentar.