Saúde

Comitiva do Ministério da Saúde visita Região Metropolitana para fazer diagnóstico da crise no sistema de saúde

A ideia é conhecer a realidade e as principais dificuldades enfrentadas no sistema de saúde gaúcho, fazer um diagnóstico e dar encaminhamentos, criando soluções de forma tripartite

Carlos Amilcar Salgado disse que ações serão voltadas para o incentivo ou a qualificação de serviços já existentes
Carlos Amilcar Salgado disse que ações serão voltadas para o incentivo ou a qualificação de serviços já existentes Foto : Fernanda Bassôa / Especial CP

Uma comitiva do Ministério da Saúde chegou na tarde desta terça-feira em Sapucaia do Sul com a finalidade de conhecer a realidade e as principais dificuldades enfrentadas junto ao sistema de saúde da Região Metropolitana, fazer um diagnóstico e dar encaminhamentos de forma tripartite: União, Estado e municípios. Entre as os problemas citados, estavam especialmente as dificuldades atualmente enfrentadas pelo Hospital Getúlio Vargas, de Sapucaia do Sul, e o Hospital de Montenegro, cujos problemas também estão sendo alvos de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), na Câmara de Vereadores da cidade.

Prefeito de Sapucaia do Sul Volmir Rodrigues, que revogou o decreto de calamidade financeira na saúde pública no último dia 18 de março, esteve em Brasília há duas semanas na busca de recursos não apenas para o hospital da cidade, mas para o enfrentamento dos problemas que tem sido gerenciado por toda região Metropolitana. "É um fato desagradável que uma mulher em trabalho de parto, no seu deslocamento de Montenegro para cá, acabou perdendo o seu bebê. Estamos apresentamos um pedido de R$ 600 mil mensais para reabrir a nossa pediatria e para aquisição de um tomógrafo digital."

O Secretário Adjunto da Secretaria de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde, Carlos Amilcar Salgado pontuou que a solução deve ser construída no âmbito regional e não apenas voltada à um município. "Vamos encontrar soluções que são de curto prazo. Todas as ações serão voltadas para o incentivo ou a qualificação de serviços já existentes e para a abertura de novos serviços ou para serviços que foram fechados por falta de financiamento. Essa primeira medida, ela vai naturalmente permitir ou proporcionar um alívio à grande demanda que hoje nós temos na região. Tornar os serviços mais eficientes, utilizar a capacidade já instalada e eventualmente ociosa para atender a demanda existente."

Segundo ele, uma sala de cirurgia que necessita de instrumentos ou insumos para poder funcionar, começa a gerar receita para o hospital. "Este é um problema que precisa ser abordado rapidamente. Leitos hospitalares que precisam de recurso para entrar em operação, também é um problema que precisa e vai ser abordado de forma prioritária. Naturalmente, toda essa solução passa por uma construção tripartite. O Ministério da Saúde está muito sensibilizado e aberto para fazer a sua parte. E nós vamos convidar o Estado também a se debruçar neste processo e naturalmente aproveitar essa articulação fraterna dos municípios aqui da região."

O presidente do Grupo Hospitalar Conceição, Gilberto Barichello, falou da importância da gestão hospitalar e citou números do Programa Agora Tem Especialistas e da ampla resolutividade que a iniciativa está propondo para os municípios. O deputado federal, Paulo Pimenta, destacou que a crise na saúde da Região Metropolitana tem consequências graves que interferem na vida de milhões de pessoas. A causa da crise, segundo ele, está ligada à um conjunto de fatores, cujas solução deverá ser construída juntamente com o governo do Estado e os municípios.

"O primeiro fator é que o Rio Grande do Sul é um Estado que não cumpre a Constituição Federal na destinação dos 12% do orçamento do Estado para a saúde. Este é um dinheiro que faz muita falta para a saúde. Segundo lugar, o Programa Assistir tirou da Região Metropolitana mais de R$ 200 milhões. Esse dinheiro é um dinheiro que estava em hospitais que têm resolutividade, que perderam recurso." Pimenta elencou a pandemia como outro fator de crise, com o represamento de cirurgias eletivas, exames e desorganização do sistema.

"Além da enchente de 2024 que atingiu inúmeros municípios da região, bem como hospitais, unidades de pronto-atendimento, pronto-socorro, com perdas de equipamentos e de unidades de saúde. Algumas delas, que até agora, não retornaram ainda ao pleno do funcionamento." O colapso do sistema Ipê também foi citado pelo deputado como um elemento motivador da crise da saúde.

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