Saúde

Como o RS acompanha os casos do vírus respiratório que avançam na China

Casos de HMPV têm aumentado na China e provocado o receio internacional de uma nova pandemia, risco considerado baixo pelo Ministério da Saúde

Há pouco menos de cinco anos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarava o início da pandemia de Covid-19. Desde então, mais de 740 mil pessoas morreram somente no Brasil, sendo mais de 43 mil no Rio Grande do Sul. Nos últimos dias, as informações sobre o aumento no número de casos de uma doença respiratória na China levantam o receio internacional de uma nova pandemia. Ao mesmo tempo, esse temor também desperta questionamentos sobre como os órgãos competentes acompanham a situação no Brasil.

O Metapneumovírus Humano (HMPV), que avança na China, é considerado menos preocupante do que o coronavírus. Ele é semelhante a um vírus mais conhecido no Brasil e nos Estados Unidos, o vírus sincicial respiratório (VSR). Ambos causam sintomas parecidos com os da gripe e da Covid-19, como tosse, febre, congestão nasal e chiado no peito.

O vírus se espalha principalmente por gotículas liberadas ao tossir ou espirrar, por contato direto com uma pessoa infectada ou por exposição a superfícies contaminadas – da mesma forma que os resfriados, a gripe e a Covid-19 são transmitidos.

Questionada sobre como tem acompanhado o avanço do vírus, a Secretaria Estadual da Saúde (SES-RS) respondeu, em nota, que o Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs) “está em constante monitoramento, sempre atento ao cenário mundial, em parceria com o Ministério da Saúde”, e informou que tal atividade é rotina.

A SES-RS também foi questionada se há algum planejamento de ações no caso de avanço da doença no mundo e quais orientações já foram passadas às secretarias municipais e hospitais no RS. No entanto, até o fechamento da matéria, apenas informou que, assim que tiver novas informações, estas serão repassadas. A Pasta também não respondeu se há motivo para alerta à população.

Procurada, a Secretaria Municipal da Saúde de Porto Alegre afirmou que a situação está sendo acompanhada através do Cevs, mas que ainda não foram recebidas orientações ou informações específicas sobre o HMPV.

Risco de pandemia é considerado baixo

Em nota publicada nesta terça-feira, o Ministério da Saúde informou que está acompanhando atentamente o surto de HMPV na China, que tem causado infecções respiratórias, especialmente entre crianças no país asiático. De acordo com Marcelo Gomes, coordenador-geral de Vigilância da Covid-19, Influenza e outros Vírus Respiratórios do Ministério, "até o momento não há alerta internacional emitido pela Organização Mundial da Saúde (OMS)", mas a vigilância epidemiológica brasileira está em constante comunicação com autoridades sanitárias da OMS e de vários países, incluindo a China, para monitorar a situação.

A magnitude e a intensidade das infecções respiratórias na China foram menores do que as registradas no mesmo período do ano anterior, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças da China (China CDC). No entanto, foi observado um aumento nas infecções respiratórias agudas, incluindo gripe sazonal, HMPV, infecção por rinovírus, VSR e outros, especialmente nas províncias do norte chinês.

O Ministério da Saúde afirma que o risco de uma nova pandemia é considerado baixo pelos especialistas, mas ressalta a importância de reforçar as medidas de prevenção e controle de infecções respiratórias.

O que dizem os especialistas

Para o médico supervisor de Controle de Infecção e Infectologia Pediátrica da Santa Casa de Porto Alegre, Fabrizio Motta, o HMPV não é uma novidade no campo das infecções respiratórias. “O Metapneumovírus Humano é um vírus que já se conhece há mais de duas décadas. Ele está dentro do grupo de vírus respiratórios, como o vírus sincicial respiratório, adenovírus, influenza e parainfluenza”, explica.

Segundo Motta, o HMPV já faz parte de exames de biologia molecular, sendo identificado em testes para diversos vírus respiratórios. Ele destaca que o vírus afeta principalmente crianças menores de cinco anos, embora possa atingir pessoas de qualquer idade.

“Ele causa, em geral, síndromes respiratórias leves ou moderadas, com coriza, tosse e sintomas gripais. Em alguns casos, pode levar a infecções mais graves, como pneumonia viral ou bronquiolite que, se acometer o trato respiratório inferior, pode levar à necessidade de hospitalização”, detalha.

Esses quadros mais graves, conforme o especialista, geralmente ocorrem em crianças menores de dois anos, especialmente aquelas abaixo de seis meses, ou em pessoas com comorbidades. O médico reforça que, ao contrário do SARS-CoV-2, que causou a pandemia de Covid-19, o HMPV pertence à mesma família do vírus sincicial respiratório, sendo muito mais semelhante a este.

Sobre a situação na China, ele tranquiliza e reforça que não existe nenhum alerta mundial em relação a esse vírus, apenas um controle dentro da China. “O risco de uma pandemia parece, nesse momento, ser muito baixo, por se tratar de um vírus já conhecido”. Contudo, ele aponta que é importante monitorar se houve alguma mudança na estrutura do vírus que poderia permitir o escape da imunidade de infecções prévias.

Por fim, Motta destaca o aprendizado deixado pela pandemia de Covid-19. “As pessoas não podem esquecer o que aprenderam sobre a prevenção de infecções respiratórias., como evitar aglomerações, não trabalhar ou estudar quando estão doentes, higienizar as mãos e usar máscaras quando tiver sintomas. Estar vacinado contra vírus como influenza e Covid-19 diminui o risco dessas infecções e, assim, a gente diminui o número de pessoas doentes e consegue controlar um as hospitalizações”, conclui.