A Doença Celíaca é uma desordem autoimune que inflama a mucosa do intestino, podendo causar atrofia no intestino e dificultar a absorção de nutrientes. O glúten é um tipo de proteína que está presente em alguns cereais, a exemplo de trigo, cevada e centeio. Portanto, produtos derivados destes cereais, como farinhas e receitas a partir delas, podem fazer mal a quem é celíaco.
Em 16 de maio celebra-se o Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença Celíaca. A data tem o objetivo de informar sobre o tema para que mais pessoas consigam procurar o diagnóstico de forma correta e adaptar sua rotina para conviver com a doença com menos dificuldade.
“O percentual de celíacos cresce porque os diagnósticos estão sendo mais assertivos”, aponta Rochele Boneti, docente de nutrição na FADERGS. De acordo com o DataSUS, entre janeiro e fevereiro de 2026 foram registrados 1.459 pedidos do exame de dosagem de anticorpos de anti-transglutaminase no Rio Grande do Sul, que é uma das etapas para identificar se uma pessoa tem doença celíaca.
Os sintomas da doença celíaca costumam ser, principalmente, gastrointestinais, como inchaço abdominal e diarréia. Caso a pessoa não pare de ingerir alimentos com glúten, eles tendem a se agravar e causar outros problemas, como dificuldade de absorção de nutrientes, o que pode resultar em desnutrição ou menor índice de vitaminas no organismo.
“A doença celíaca é um fator de risco também para câncer de intestino delgado, principalmente quando não é tratada”, salienta a docente.
A adaptação da alimentação
Rochele percebe que há um desconhecimento sobre quais alimentos precisam ser cortados: “as pessoas acham que tem que cortar totalmente o carboidrato, mas nem todo o carboidrato tem glúten. O desafio maior está na mudança dos hábitos”, aponta.
Alimentos como arroz, batata e aipim são alguns dos carboidratos que podem ser consumidos normalmente. A docente ainda acrescenta que, no geral, alimentos in natura não têm glúten e são uma boa opção para a alimentação.
Um alimento frequente na alimentação de muitas pessoas é o pão e ele é difícil de ser substituído. Isto porque, apesar de existirem sem glúten, eles costumam ser mais difíceis de se encontrar e mais caros.
O valor elevado dos produtos sem glúten é outra dificuldade que a nutricionista percebe. Apesar disso, atualmente é possível encontrar opções como iogurtes, barrinhas de cereais e até cervejas sem glúten.
Entre as dicas da docente está a troca da farinha de trigo nos preparos por opções como farinha de milho, de arroz, maizena, tapioca ou polvilho. “Hoje em dia existem muitas opções de farinhas sem glúten”, ressalta. Receitas como pão ou bolo de milho e pão de queijo costumam não ter glúten e podem ser uma alternativa ao pão comum.
De maneira geral, a docente percebe que no dia a dia pode ser fácil trocar os alimentos, entretanto, quando se trata de encontros em grupo ou mesmo festas de aniversário, fica mais difícil que a pessoa celíaca seja incluída. Ao realizar refeições fora de casa, é importante questionar sobre os preparos. Molhos são um dos pontos de atenção, já que em diversas receitas a farinha de trigo é utilizada para que ele fique mais espesso.
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Atenção além da alimentação
Para quem não pode consumir glúten, um dos pontos para prestar atenção são os rótulos. “Além de alimentos, alguns cosméticos e remédios também têm glúten, fazendo com que uma pessoa celíaca, mesmo ajustando a dieta, continue apresentando reação ao contato”.
Outra dica da nutricionista é que se busque informações qualificadas. Associações e federações voltadas ao tema costumam ter conteúdos explicativos de qualidade. A Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil é um desses exemplos. Buscar um nutricionista para orientação e acompanhamento também é uma boa alternativa.
“Após o diagnóstico, o mais importante é estar bem informado e se cercar de uma boa rede de apoio. Preparar as próprias refeições e comprar em comércio especializado garante uma vida normal, com boas substituições e menos sofrimentos”, tranquiliza a professora.